Dylan Farrow, que acusa Woody Allen de abuso, não compreende por que o pai continua a trabalhar

A filha do realizador falou sobre celebridades que apoiam movimentos como #MeToo e simultaneamente continuam a trabalhar com o pai.

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Woody Allen Reuters/REGIS DUVIGNAU

Muito antes do movimento #MeToo ter aparecido e de Hollywood ter decidido vestir-se de preto como forma de protesto, já Dylan Farrow contara publicamente, em 2014, que o pai, Woody Allen, tinha abusado sexualmente dela quando tinha sete anos. Agora, depois da cerimónia dos Globos de Ouro e em declarações à BuzzFeed News, a filha adoptiva de Woody Allen e Mia Farrow falou daqueles que deram a cara pela defesa da igualdade de género e contra o assédio sexual, mas que continuam a trabalhar com alguém que foi acusado de agressão sexual, o pai.

Uma das actrizes que a filha do cineasta acusa é Blake Lively, depois desta ter divulgado o movimento Time's Up. "Tu trabalhaste com o meu abusador. Não sou também uma mulher que importa?", escreveu Dylan.

Apesar de ter sido acusado pela filha, Woody Allen continua a trabalhar com actores e actrizes de topo, ao contrário do que aconteceu com outros profissionais da área que começaram a fazer parte da lista negra de Hollywood, como aconteceu com Harvey Weinstein, Kevin Spacey, entre outros. Por essa razão, para a filha do realizador a “revolução foi selectiva”.

“Durante muito tempo denunciei que, quando tinha sete anos, Woody Allen levou-me para um quarto, longe de onde estavam as amas, as mesmas que, por sinal, tinham sido avisadas que não poderiam deixar-me a sós com ele. Agrediu-me sexualmente. Contei a verdade às autoridades e dediquei-me a contá-la durante mais de 20 anos. Por que Harvey Weinsten e outras celebridades foram expulsas de Hollywood, enquanto Allen acaba de assinar um acordo multimilionário com a Amazon, com a aprovação de Roy Price, executivo da Amazon Studios, antes de ele próprio ser acusado de assédio sexual e ter de se demitir por isso?”, pode ler-se no artigo publicado pelo Los Angeles Times.

"Este é um objectivo admirável e valioso, espero que estas mulheres mudem o mundo. Dito isto, as pessoas que se juntam a este movimento sem assumirem qualquer tipo de responsabilidade pessoal" são pouco coerentes, disse à BuzzFeed News.