Aos 27 anos, Sal visitou todos os países do planeta

Depois de muitas viagens ao longo dos anos, Sal Lavallo decidiu deixar o emprego em 2016 e fechar o globo. Aos 27 anos, o norte-americano pisou os 193 países reconhecidos pela ONU.

Malta fechou o leque de 193 países visitados
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Malta fechou o leque de 193 países visitados DR

Se há coisa que nunca esteve nos planos de Sal Lavallo foi visitar todos os países do mundo. Até que, em 2016, decidiu fazer uma pausa no trabalho e viajar. Tirou uma licença de seis meses, prolongou-a por um ano. E então fez as contas: somadas todas as viagens, já tinha visitado cerca de 160 países. “Disse a mim próprio que se fosse estar mais um ano sem trabalhar tinha de fazer disso um objectivo – tinha de alcançar alguma coisa”, conta o norte-americano à CNBC.

Nos últimos dois anos, Sal andou de continente em continente para visitar os países que faltavam, até completar a lista de 193 territórios reconhecidos pela ONU. Pelo caminho, foi relatando cada passo do périplo com textos e fotos no site pessoal e no Instagram. Em Novembro do ano passado, chegou a Malta para fechar o globo, tornando-se uma das pessoas mais jovens a visitar todos os países do mundo. “Os meus últimos quatro países eram em quatro continentes diferentes, por isso tive de ir de Tuvalu, no Pacífico, para o Congo, em África, depois fui para o Médio Oriente para o Iémen e, a seguir, Malta, para o final”, recorda à estação televisiva norte-americana.

Nascido numa pequena cidade do Indiana, Sal Lavallo frequentou o United World College norte-americano, um colégio internacional com estudantes vindos de mais de 100 países (a rede é composta por 17 colégios espalhados pelo mundo). Foi depois para a Universidade de Nova Iorque, onde estudou desenvolvimento económico. Há seis anos, mudou-se para Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, onde trabalhava como consultor de gestão na McKinsey.

A primeira viagem internacional, conta ao The Telegraph, foi ao Japão e à China, em 2004. Depois disso, muitas outras se seguiram, para visitar os antigos colegas do colégio, para pesquisas académicas ou em trabalho. “De 2009 a 2015, visitei entre 15 e 20 países por ano”, conta ao diário britânico. Os pontos acumulados por escolher sempre a mesma cadeia de hotéis, a facilidade em encontrar voos de ligação por viver em Abu Dhabi e os amigos que tinha espalhados pelo globo ajudaram a tornar a viagem economicamente “acessível”, admite.

E 193 países depois, que imagem se ganha do globo? “Que existe beleza e positivismo em toda a parte do mundo. E que essa beleza está muitas vezes nas pessoas”, conta ao The Telegraph. “Visitar todos estes países não teve a ver com viajar ou com turismo, mas sobre aprender e criar laços com as pessoas.” Na Líbia, na Síria e no Afeganistão, onde foi ficando alojado em casa de amigos, “a vida continua”, apesar dos conflitos que assolam os países. “As pessoas ainda sorriem, amam, são humanas.” “Desde fumar hookah e ver jogos de futebol na Líbia, a assistir a casamentos na Síria e pedalar barcos em forma de cisne no Afeganistão, tive experiências maravilhosas em cada um dos países”, recorda.

O predilecto, no entanto, é a Tanzânia. Visitou-o pela primeira vez em 2011, durante um projecto para uma organização não-governamental que tinha fundado. “A língua, as pessoas, a comida, tudo me entusiasmava e queria compreender tudo. Eles têm uma ideologia chamada tukopamoja, que significa 'Nós estamos juntos' e sintetiza a sociedade deles, baseada na comunidade e na inclusão.” Desde então, Sal regressa todos os anos à Tanzânia, onde tem uma quinta na aldeia de Mongula.

De todos os países, guarda pessoas. “O meu guia na Coreia do Norte, o chefe indígena no sul da Venezuela, o meu motorista na Guiné, os refugiados no Iraque e em Nauru, os xeques em Abu Dhabi, os dervixes no Sudão, os activistas em Timor Leste, os pentecostais mexicanos, os transformistas brasileiros, as crianças brincalhonas em Tuvalu”, enumera ao The Telegraph. “Quando olho para um mapa vejo caras.”

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