Jornalista Nicolau Santos será o novo presidente da Lusa

Governo nomeou o presidente, accionistas devem indicar os vogais. Nova administração será oficialmente nomeada no final de Fevereiro, pela Assembleia Geral.

Nicolau Santos vai para o CA da Lusa
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Nicolau Santos vai para o CA da Lusa Nuno Ferreira Santos

O jornalista Nicolau Santos, actualmente director-adjunto do semanário Expresso, será o novo presidente da Agência Lusa a partir de Fevereiro. O convite do Governo para ser presidente do conselho de administração da agência surgiu "há poucos dias", admitiu esta quinta-feira o jornalista numa nota sobre a sua saída do grupo Impresa.

O nome escolhido pelo Governo foi confirmado ao PÚBLICO pelo gabinete do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. A substituição ocorrerá no final de Fevereiro, na Assembleia Geral de accionistas, quando a actual gestora Teresa Marques apresentar as contas de 2017.

"Ponderei muito se deveria aceitar [o convite para presidir à Lusa], até porque isso me impede de continuar a escrever para o jornal, fazer o Expresso da Meia-Noite ou ser comentador na Antena 1", conta Nicolau Santos. "Conversei sobre o assunto com Francisco Pedro Balsemão e acabei por aceitar o desafio, esperando contribuir para tornar a Lusa numa agência noticiosa adaptado aos grandes desafios que se colocam aos media no séc. XXI", acrescenta o jornalista na nota, agradecendo tanto a Balsemão-pai e a Balsemão-filho o tempo que passou no Expresso e a "lisura e correcção" no processo da sua saída.

A ainda presidente da Lusa, Teresa Marques, avisou na passada semana os trabalhadores da agência que deixará a empresa quando houver uma nova administração e na mesma carta teceu críticas à tutela que, disse, se remeteu ao "total silêncio" desde Setembro, não dando resposta a pedidos de reunião, por exemplo. Além disso, a presidente lamentava o adiamento sucessivo, desde 2015, da estratégia de crescimento da agência assim como os entraves financeiros que o Governo foi colocando sucessivamente, formal e informalmente, nomeadamente com "regras complexas de autorização" de despesa que deixaram a agência em suspenso em questões como a contratação de trabalhadores ou o investimento na rede de correspondentes no estrangeiro.

Nicolau Santos vem do segundo maior accionista privado da Lusa. O Estado detém 50,14% da empresa, a segunda quota (23,36%) pertence à Global Media Group (que detém o Diário de Notícias e a TSF, entre outros títulos), e a Impresa (dona da SIC, Expresso, Visão) é dona de 22,35%. A escolha do vice-presidente não-executivo e dos três vogais (também eles não-executivos) será feita pelos accionistas. O restante capital está dividido pela NP- Notícias de Portugal (2,72%), PÚBLICO (1,38%), RTP (0,03%), Diário do Minho (0,01%) e O Primeiro de Janeiro (0,01%).

Há duas semanas, Nicolau Santos anunciara à redacção do Expresso que tencionava deixar as funções de director-adjunto do semanário no final deste ano. Em comunicado divulgado internamente dizia que se manteria como comentador do Expresso e da SIC Notícias, canal onde também permanecia como moderador do programa Expresso da Meia-Noite.

O jornalista, que é director-adjunto do Expresso desde 2006, foi director do PÚBLICO entre Outubro de 1996 e Setembro de 1997, tendo antes dirigido o Diário Económico e o Semanário Económico entre 1994 e 1996. Em Março de 1998 assumiu o cargo de sub-director do Expresso, passando oito anos depois a adjunto. Começara a sua carreira de jornalista no Jornal de Notícias, em 1978, e passou depois pelo O Jornal.

Licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia, é nesta área que mantém colaborações como comentador fora da Impresa, como na Antena 1 ou na revista da Ordem dos Economistas, e ainda como membro do Barómetro de Inovação da COTEC Portugal.

Durante o processo de escolha do Governo estiveram outros nomes em cima da mesa para integrar a equipa de gestão da Agência Lusa, parte deles ligados à comunicação social, como o do actual provedor do espectador da RTP e antigo administrador da Lusa entre 1998 e 2002, Jorge Wemans; à investigação em media, como o professor catedrático do ISCTE Gustavo Cardoso; e à cultura, como os casos dos antigos ministros Gabriela Canavilhas e João Soares.