Agência Lusa vai mudar de presidente no início de 2018

Teresa Marques envia longa carta de Boas Festas aos trabalhadores onde lamenta o adiamento sucessivo, desde 2015, da estratégia de crescimento da agência, os entraves financeiros do Governo e o seu "total silêncio" desde Setembro.

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A presidente da Agência Lusa enviou nesta quarta-feira uma carta aos trabalhadores da empresa em que faz um balanço da actividade da agência noticiosa durante 2017 e anuncia que na próxima Assembleia Geral “será nomeada a nova administração”.

Teresa Marques diz que até lá estará na Lusa com “o empenho, a dedicação e o optimismo de sempre”. A Assembleia Geral da agência costuma ter lugar em Março, depois de encerradas as contas do ano anterior.

Na longa missiva, além de falar dos projectos que conseguiu implementar, a gestora lamenta o adiamento sucessivo, desde 2015, da estratégia de crescimento da agência, os entraves financeiros do Governo e o "total silêncio" a que a tutela se remeteu desde Setembro passado.

"Como em tudo, também na análise do ano encontramos aspectos positivos, mas para mim, pessoalmente, fecho o ano com um peso de notícias tristes, inesperadas e surpreendentes", aponta Teresa Marques. Fala então das dificuldades da agência: o orçamento só foi aprovado em Junho e com um corte de meio milhão de euros, impedindo a contratação de pessoal que havia sido proposta à tutela. "Ou seja, tal como havíamos dito em 2015, a estratégia de crescimento foi adiada para 2016, depois para 2017 e agora um novo conselho de administração prosseguirá, ou definirá uma estratégia para a Lusa em 2018."

"A verdade é que termino este mandato sem entender o que se passou", lamenta-se a presidente. Conta que a estratégia de reforço a nível nacional e internacional, assim como do digital foi aprovada pelo Governo, que aprovou o contrato de prestação de serviço entre o Estado e a Lusa e reforçou em 20% (desde 2016) a indemnização compensatória, fazendo-a voltar aos níveis antes da troika.

Porém, criou "regras complexas de autorização" que comprometeram investimentos e contratações. E, pior, desde Setembro que a tutela se remeteu "a total silêncio, apesar das variadíssimas insistências solicitando resposta a pedidos de autorização de várias acções e projectos", incluindo substituição de trabalhadores. Na terça-feira (dia 19) chegou a resposta de que essas substituições já não serão aprovadas este ano e só serão analisadas pelo novo conselho de administração, conta Teresa Marques.

A presidente fala ainda de alguns projectos concretizados em 2017, como o lançamento do novo portal da Lusa, o alargamento de serviços para os clientes e para os media das comunidades portugueses, a participação em projectos internacionais de cooperação editorial (nas áreas das migrações, PAC e alimentação), a realização de formação no projecto Escola Lusa, ou a remodelação do edifício da sede, e Lisboa.

O nome de Teresa Marques, antiga vogal da administração da RTP (entre 2008 e 2011) e consultora, foi anunciado em Novembro de 2014 pelo então ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, para liderar a Agência Lusa.