“O Governo português não interfere no pernil de porco”

Ministro dos Negócios Estrangeiros vai recolher informação sobre o que se terá passado com o envio de pernil de porco para a Venezuela, depois do presidente daquele país ter acusado Portugal de boicote, e garantiu que não houve nenhuma interferência política.

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, vai contactar a embaixada portuguesa na Venezuela
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Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, vai contactar a embaixada portuguesa na Venezuela LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

O Ministério dos Negócios Estrangeiros vai recolher informação sobre o que se terá passado com o envio de pernil de porco para a Venezuela, depois do presidente daquele país ter acusado Portugal de boicote. O pernil de porco faz parte das tradições de Natal na Venezuela e Nicolás Maduro tinha prometido oferecê-lo à população durante a época festiva. 

“O Ministério irá recolher informação o que se terá passado e quando houver mais dados dará mais informações”, disse ao PÚBLICO a assessora do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Eunice Sampayo. Em declarações à rádio TSF, o ministro Augusto Santos Silva afirmou que irá contactar a embaixada portuguesa na Venezuela e garantiu que não houve nenhuma interferência política.

“O governo português não tem, seguramente, esse poder de sabotar pernil de porco. Nós vivemos numa economia de mercado e as exportações competem às empresas. Vou perguntar à nossa embaixada na Venezuela o que se passa. Evidentemente não há aqui nenhuma interferência política porque o Governo português não interfere no pernil de porco. Primeiro vamos apurar os factos e depois tiraremos as conclusões”, disse o ministro Augusto Santos Silva.

O presidente Nicolás Maduro prometeu oferecer pernil aos venezuelanos, através dos Comités Locais de Abastecimento e Produção, pelo Natal, mas a promessa não foi cumprida. 

“Com a entrega do pernil, fomos sabotados. Um país em particular, Portugal. Porque nós comprámos todo o pernil que havia na Venezuela, mas precisávamos de comprar fora para preencher todas as necessidades e sabotaram-nos a compra do pernil”, disse Maduro em declarações citadas pelo jornal El Nacional.

À agência Lusa o ministro disse estar ainda a recolher informações sobre o caso, admitindo ter havido "um problema comercial", mas disse dispor já de dados que apontam para que a carne tenha sido de facto exportada tendo falhado possivelmente a sua distribuição na Venezuela.

"No momento, a informação de que disponho é que de facto há contratos de fornecimento de carne de porco portuguesa para a Venezuela. Da parte de empresas portuguesas, esses fornecimentos foram feitos, estão contratualizados, e portanto a questão de saber se a carne de porco foi distribuída ou não na Venezuela diz respeito às autoridades venezuelanas", afirmou.

Santos Silva afastou a possibilidade de chamar o embaixador venezuelano em Lisboa para esclarecimentos, repetindo que a questão não é política. "Tenho informação bastante para dizer que não há aqui qualquer questão política, qualquer questão político diplomática, muito menos qualquer boicote ou sabotagem da parte das autoridades portuguesas", assegurou.

No final do ano passado, a Venezuela comprou pernil em Portugal, através de um negócio com a empresa Agrovarius. Segundo o Jornal de Negócios, a empresa vendeu 14 mil toneladas de carne para a Venezuela por 63,5 milhões de euros.

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