Santana vinca que deixou a SCML sem nada decidir sobre o Montepio

Candidato à liderança do PSD tem vindo a criticar o facto de se admitir agora que a Santa casa invista 200 milhões de euros, um terço dos activos, no banco. A decisão há-de ser do actual provedor, sublinha.

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Sergio Azenha

Um dia depois de José Miguel Júdice, no seu espaço de comentário na TVI e em artigo no Eco, ter considerado um “escândalo” as “pressões” feitas pelo Governo sobre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) para esta entidade entrar no capital do Montepio Geral, bem como o facto de agora se dizer que a Santa Casa pode investir 200 milhões de euros na instituição, e já não 60 milhões, Santana Lopes sublinhou nesta terça-feira, em comunicado, que deixou o cargo de provedor da instituição sem tomar qualquer decisão sobre o assunto.

Santana não se queixa das “pressões” referidas por José Miguel Júdice, mas enjeita responsabilidades por decisões que foram ou venham a ser tomadas pelo sucessor na SCML, Edmundo Martinho. E, ao contrário do que fez no dia 13, na RTP — e do que fez agora também Júdice — não se refere ao facto de se admitir actualmente que o capital a avançar pela SCML sejam 200 milhões de euros, um terço dos activos da instituição.

O actual candidato à liderança do PSD começa por confirmar que foram o Governo e o Banco de Portugal a “suscitar” o tema Montepio junto da SCML, mas não considera que tenha havido “pressões”. Pelo contrário, deixa claro que, quando aquelas “duas entidades assumiram ver com bons olhos” a entrada da SCML no Montepio Geral, fizeram-no “com a devida correcção pessoal e institucional” e “tendo declarado sempre que respeitavam a esfera da autonomia da SCML”.

Santana Lopes, que no comunicado assume que falou com Júdice sobre este assunto antes de este o abordar na TVI e no Eco, recorda ainda que deixou a decisão sobre o Montepio dependente de estudos que ainda não tinha recebido quando, há dois meses, deixou de ser provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. “Sobre o que se passou a partir desse momento, as questões devem ser colocadas ao actual provedor”, termina.