Manuela de Melo, antiga vereadora da Cultura, homenageada esta terça-feira

Responsável pela Cultura nos mandatos de Fernando Gomes, conduziu a cidade durante a Capital Europeia da Cultura - Porto 2001

Manuela de Melo recebeu uma medalha das mãos de Rui Moreira em 2016
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Manuela de Melo recebeu uma medalha das mãos de Rui Moreira em 2016

O trabalho que Manuela de Melo desenvolveu à frente da Cultura da cidade do Porto vai ser lembrando e homenageado esta terça-feira, numa cerimónia promovida pelo Círculo Dr. José de Figueiredo/Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis, em que a antiga vereadora socialista irá receber o estatuto de sócia honorária desta entidade. Uma homenagem “merecidíssima”, diz o antigo presidente da Câmara do Porto, Fernando Gomes, que não vai poder estar presente na sessão marcada para as 18h30.

Manuela de Melo foi a responsável na autarquia pela Cultura entre 1990 e 2002, durante os mandatos de Fernando Gomes, e o antigo autarca não tem dúvidas: “Ela foi a vereadora que até hoje mais marcou a Cultura do Porto”. E para aqueles a quem a memória não ajuda, e que têm apenas a lembrança do trabalho desenvolvido, no primeiro mandato de Rui Moreira, pelo vereador Paulo Cunha e Silva, considerado também um marco, Fernando Gomes faz questão de pôr os pontos nos iis: “Não tem comparação. Tenho grande apreço pelo Paulo Cunha e Silva, mas ele fez mais uma ruptura com o imobilismo do mandato anterior, do doutor Rui Rio, não algo absolutamente inovador. Ela sim, não só ao nível das infra-estruturas como nos hábitos culturais da cidade. Com a Porto 2001 [Capital Europeia da Cultura] criaram-se hábitos culturais e novos públicos na cidade e este foi um dos seus grandes e enormes trabalhos”.

Álvaro Sequeira Pinto, presidente do Círculo responsável pela homenagem desta tarde, diz concordar com Fernando Gomes, pelo menos num aspecto: “Ela parte do zero, não tinha absolutamente nada”. A ideia de lembrar o percurso da bióloga nascida em 1945, que foi pivot da RTP, actriz, vereadora e deputada na Assembleia da República surgiu pelo “muito que o Museu Nacional Soares dos Reis lhe deve”, explica Sequeira Pinto. A renovação do espaço aconteceu sob a égide da Porto 2001, o grande marco cultural da cidade nas últimas décadas. Até aí, o museu “estava na cepa torta”, considera Fernando Gomes. Depois, tudo foi diferente, ainda que, neste momento, o espaço esteja já a precisar de uma nova intervenção - que vai concretizar-se no início do ano, com recurso a fundos do Portugal 2020, garante Álvaro Sequeira Pinto.

Na cerimónia desta tarde, Manuela de Melo receberá o título de sócia honorária do Círculo, e os presentes poderão assistir depois a uma conversa em torno “do seu papel na Cultura do Porto e, em concreto, do seu papel como mulher na Cultura”, explica Sequeira Pinto. Estão previstas intervenções do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, do fundador do BPI, Artur Santos Silva, e do investigador Manuel Sobrinho Simões.

Manuela de Melo está reformada desde 2010 e, no ano passado, recebeu a Medalha de Mérito – Grau Ouro atribuída pela Câmara do Porto.

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