Desavindo com a UE, Erdogan exibe amizade com Atenas

Presidente turco faz visita histórica à Grécia, com quem partilha interesses no acordo para os refugiados e a questão da ilha dividida de Chipre.

Tsipras e Erdogan: a Grécia quer ser um canal de comunicação com a UE
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Tsipras e Erdogan: a Grécia quer ser um canal de comunicação com a UE TURKISH PRESIDENT PRESS OFFICE

Recep Tayyip Erdogan chega esta quinta-feira a Atenas, para uma visita histórica: é a primeira vez, em 65 anos, que um Presidente turco visita a capital do país vizinho, com o qual as relações são tantas vezes contenciosas. A última vez que estiveram em risco de entrar em conflito armado foi em 1996. Agora, os dois países estão ligados pelo acordo entre a União Europeia e a Turquia para evitar que milhares de refugiados do Médio Oriente cheguem às fronteiras Schengen através da Grécia.

Grécia e Turquia têm uma longa lista de queixas com origem em conflitos territoriais, acerca de ilhéus desabitados, dos limites da placa continental grega e, sobretudo, de Chipre, uma ilha etnicamente dividida, entre gregos e turcos, cujo Norte foi ocupado pela Turquia em 1974, após um golpe de Estado militar na Grécia. A reunificação é alvo de conversações há muitos anos, mas a diplomacia nunca conseguiu unir o que as armas separaram.

Grécia e Turquia teriam de chegar a acordo nas condições de segurança para a ilha se as comunidades grega e cipriota concordassem na forma de reconciliação. A última tentativa de negociar um acordo acabou em Julho. “As negociações terminaram com muito azedume, por isso fiquei surpreendido com esta visita”, disse à Reuters James Ker-Lindsay, politólogo da Universidade de St. Mary em Londres. “Em termos simbólicos, para Atenas, é bom. Mas não sei se vai sair alguma coisa daqui”, comentou Ker-Lindsay.

Apesar do acordo com a UE para conter os refugiados, a visita de Erdogan acontece num momento em que as relações da Turquia com vários países da União Europeia estão gélidas. A Grécia espera no entanto ajudar a manter os canais de comunicação abertos. O processo de adesão da Turquia à UE, que está paralisado, “é mais importante do que nunca”, frisou o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

Tsipiras disse também à agência turca Anadolu que “não são bem-vindas na Grécia pessoas envolvidas em golpes de Estado”, referindo-se aos oito militares que procuraram asilo no país vizinho depois do golpe falhado na Turquia em Julho de 2016.

Há uma enorme operação de segurança preparada para a visita de Erdogan, que leva mais de 200 seguranças. Foram destacados 2800 polícias gregos para o guardar, e várias linhas de transportes serão alteradas em Atenas.

Erdogan, que visitou a Grécia como primeiro-ministro em 2004 e 2010 – vai deslocar-se à Trácia, uma região no Norte da Grécia onde vive uma minoria muçulmana. Será um momento tenso da visita. Erdogan apelou em 2016 à realização de um referendo nesta e noutras regiões muçulmanas que foram do Império Otomano - nas quais incluía várias zonas da Grécia, Iraque, Síria, Bulgária, Geórgia e Grécia - para que se juntassem à Turquia.

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