Trump vai nesta quarta-feira reconhecer Jerusalém como a capital de Israel

Decisão contraria décadas de diplomacia norte-americana para o Médio Oriente. Espera-se onda de protestos e teme-se violência.

Trump durante a sua visita à Cidade Velha de Jerusalém, em Maio de 2017
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Trump durante a sua visita à Cidade Velha de Jerusalém, em Maio de 2017 JONATHAN ERNST/REUTERS

O Presidente dos EUA, Donald Trump, vai reconhecer nesta quarta-feira Jerusalém como a capital de Israel e avançar com a relocalização nessa cidade da embaixada dos EUA naquele país, segundo fontes do Governo americano. A decisão contraria décadas da política diplomática dos EUA e arrisca promover a violência no Médio Oriente.

Mesmo antecipando uma onda de protestos nas capitais muçulmanas, Trump anunciará, num discurso histórico, que deu ordens ao Departamento de Estado para começar a desenvolver um plano para mudar a embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém. Trata-se de um processo que se espera que demore de três a quatro anos, segundo as mesmas fontes. O Presidente não definirá um calendário para a mudança.

Trump vai assinar uma renúncia de segurança nacional que lhe permite atrasar a relocalização da embaixada por agora, uma vez que os diplomatas norte-americanos ainda não têm um edifício para onde se mudarem, protocolos de segurança ou habitações onde viverem, de acordo com as mesmas fontes.

Ainda assim, o apoio de Donald Trump à reivindicação israelita de que toda a Jerusalém seja a sua capital reverte uma política norte-americana duradoura que diz que o estatuto da cidade deve ser decidido em negociações com os palestinianos. Estes pretendem que o Leste de Jerusalém seja a capital do seu futuro Estado.

A comunidade internacional não reconhece a soberania de Israel sobre toda a cidade, que alberga locais sagrados para muçulmanos, judeus e cristãos.

As fontes da Casa Branca que anteciparam o discurso que Trump fará nesta quarta-feira (às 18h de Lisboa) sublinharam que a decisão, vista pelo Presidente como o cumprimento de uma promessa-chave da sua campanha, não pretende antecipar o resultado de eventuais negociações sobre o estatuto final de Jerusalém ou sobre outras questões em disputa entre israelitas e palestinianos.

Trump fez da mudança da embaixada uma promessa eleitoral. Não é nada de extraordinário na política americana; outros candidatos fizeram antes a mesma promessa, mas sem nunca a cumprir. Mas este Presidente parece querer arriscar uma jogada que terá consequências imprevisíveis.

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