Marina Silva quer ser eleita presidente do Brasil em 2018

Três tentativas e uns quantos partidos depois, a actual dirigente da REDE quer dar aos brasileiros "um país livre de corrupção”.

A política, depois de saber que ficara em terceiro, em 2014
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A política, depois de saber que ficara em terceiro, em 2014 Nacho Doce/Reuters

A antiga senadora, ministra do Ambiente e candidata presidencial anunciou que é candidata à nomeação do seu partido para as eleições presidenciais do próximo no Brasil. Na verdade, Marina Silva já só espera a confirmação final: o seu nome foi o escolhido em 23 convenções estaduais da Rede (Rede Sustentabilidade), faltando apenas ser votado no congresso nacional do partido, em Abril.

A ambientalista, que em 2014 não chegou à segunda volta, quando era candidata pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB, foi lançada depois da morte do líder do partido, Eduardo Campos), integra agora a formação fundada em 2013 mas apenas registada oficialmente em 2015, já com ela na liderança. Antes tinha sido ministra e candidata à presidência pelo Partido Verde, alcançando uns surpreendentes 20% em 2010.

“Os brasileiros querem um país livre de corrupção”, afirmou num encontro nacional do partido em Brasília. “O compromisso e o senso de responsabilidade, sem ser a dona da verdade, me convocam para este momento”, disse, referindo-se aos últimos da política brasileira, com o país a andar ao ritmo de processos de destituição e gigantescos casos de corrupção a que quase nenhum partido com representação no Congresso parece escapar.

Num discurso de quase uma hora, a ambientalista defendeu mesmo a necessidade de “dar um sabático de quatro anos para os países que criaram a crise no país". Marina Silva garante não querer “combater ninguém”, mas sim para “manter as conquistas e fazer o desenvolvimento económico com sustentabilidade”. A Rede procura agora acordos com outros pequenos partidos, PSB, Partido Verde e Partido Popular Socialista, para construir uma aliança para 2018, escreve o jornal Folha de São Paulo.

Aos 59 anos, Marina da Silva garantiu não procurar “o poder pelo poder”. Nascida na floresta da Amazónia, numa comunidade que se dedicada à exploração da borracha (seringueiros), chegou a ministra com o Presidente Lula da Silva. Na última sondagem do instituto Ibope, de Outubro, obtinha 8% e ficava em terceiro lugar.

Mas esse inquérito incluía Lula como possível candidato – condenado por corrupção em Julho, Lula espera pelo recurso; se a condenação de mantiver até às eleições de Outubro, não pode concorrer. Num cenário sem Lula, Marina Silva surge em primeiro lugar, empatada com o candidato da direita Jair Bolsonaro, ambos com 15%.

Há um campeonato em que a líder que nunca passou a uma segunda volta ganha com vantagem: muitos brasileiros consideram que é a pessoa com mais princípios na política do Brasil. Um facto nada desprezável quando passaram quase quatro anos desde a divulgação de redes de corrupção sem precedentes, com políticos de quase todos os partidos (mas não seu) subornados.