Centro, Belém, Parque das Nações: videovigilância está quase aí

A PSP está a fazer estudos e a câmara quer avançar assim que sejam conhecidos os resultados. Na primeira reunião pública do mandato, o futuro dos hospitais do centro da cidade também esteve em discussão.

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Cais do Sodré, Bica, Avenida 24 de Julho, Rossio, Martim Moniz, Belém e Parque das Nações poderão vir a ter sistemas de videovigilância JOAO GUILHERME / PUBLICO

A instalação de videovigilância em grande parte do centro de Lisboa já está consensualizada entre a câmara municipal, o Governo e a PSP. Fernando Medina revelou esta quarta-feira que disse ao novo ministro da Administração Interna que "via como desejável e prioritário" o alargamento do sistema de vigilância, que actualmente só funciona no Bairro Alto. 

Para o autarca, a "prioridade" são "as zonas de maior concentração populacional", sobretudo as mais procuradas por turistas e para divertimento nocturno. E disse que poderá haver videovigilância em locais como o Cais do Sodré, a Bica, a Avenida 24 de Julho, o Rossio, o Martim Moniz, Belém e o Parque das Nações. Há uns meses, a câmara já tinha sinalizado que também está a ponderar a instalação deste sistema na Avenida Almirante Reis.

"Há uma concordância do senhor ministro [da Administração Interna] e da direcção nacional da PSP quanto a isto", afirmou Fernando Medina na reunião pública da autarquia desta quarta-feira. O presidente da câmara explicou que “é sempre necessário que a PSP justifique a necessidade de videovigilância” e que a polícia “está a produzir estudos” sobre isso. “Logo que estejam prontos, avançaremos”, acrescentou.

Antes das explicações de Medina, os vereadores do CDS tinham apresentado uma moção a pedir a instalação de câmaras de vídeo “em áreas sensíveis ao nível de segurança na cidade”. O documento, que acabou por ser aprovado com os votos contra do PCP e do Bloco de Esquerda e a abstenção do PSD, referia o recente caso de violência à porta do Urban Beach e um acto de vandalismo nocturno na Igreja do Loreto, ao Chiado. 

“Fomo-nos apercebendo de que há vários focos de insegurança na cidade”, afirmou o centrista João Gonçalves Pereira, que também aproveitou para criticar a câmara pela forma como lidou com a situação do Urban. A autarquia, defendeu, podia ter “invocado salvaguarda do interesse público municipal” para ordenar o encerramento da discoteca mais cedo. Medina respondeu que a câmara “fez o que devia fazer junto das autoridades competentes para assegurar a estabilidade da cidade”.

"Lisboa tem défice de infra-estruturas hospitalares de qualidade"

Na primeira reunião pública deste mandato discutiu-se também a construção do Hospital de Lisboa Oriental, em Chelas, e o que isso implica para os hospitais do centro, sobretudo os da Colina de Santana. O vereador João Ferreira, do PCP, exortou a câmara a “tomar uma posição hoje, agora, contra o encerramento dos seis hospitais”, que diz estar subentendida na resolução do Conselho de Ministros aprovada na terça-feira, que deu início oficial ao processo que levará à existência do novo hospital, em 2023.

“Essa resolução vem anunciar o encerramento dos hospitais do Centro Hospitalar de Lisboa Central”, denunciou João Ferreira. O documento aprovado pelo Governo diz que aquelas infra-estruturas estão “obsoletas”, mas o vereador comunista contrapõe que isso “não é verdade, porque se estivessem obsoletos não podiam prestar os serviços de qualidade que ali prestam”. 

Na resposta, Medina afirmou que “Lisboa tem um défice de infra-estruturas hospitalares de qualidade” e que é “uma grande alegria” estar-se agora a abrir o concurso público para a concepção e construção do novo hospital, que se fará através de uma parceria público-privada. “É irrealizável pensar que vamos manter uma quantidade de hospitais a funcionar ao mesmo tempo que o novo”, afirmou o autarca. E acrescentou que está interessado em negociar com o Governo para que nenhum dos equipamentos a funcionar no centro de Lisboa feche antes de aberto o novo e para que os terrenos, uma vez vazios, não sejam transformados em condomínios de habitação, como já esteve previsto.

Ricardo Robles, do Bloco, que é o novo vereador da Saúde, mostrou-se contra o modelo de parceria público-privada escolhido pelo Governo e disse que os hospitais de São José, Santa Marta, Capuchos, Dona Estefânia e Curry Cabral e a maternidade Alfredo da Costa precisam de ser repensados. “Precisamos de um novo equipamento moderno, com boas acessibilidades”, disse, até porque manter todos os hospitais abertos nos actuais moldes seria “anacrónico e prejudicial à saúde dos lisboetas”. Para o vereador, impõe-se “não o encerramento, mas a reconfiguração” destes equipamentos.