Real Douro compra ex-colégio Almeida Garrett à Universidade do Porto

A empresa, com sede no Marco de Canaveses, venceu o concurso público para alienação do edifício, que tinha como preço-base 4768 milhões de euros. Entre as três propostas apresentadas, a da Real Douro foi a mais elevada.

Catarina Martins, do Bloco de Esqueda, defendeu ser necessário discutir qual o destino a dar às instalações do antigo colégio.
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Catarina Martins, do Bloco de Esqueda, defendeu ser necessário discutir qual o destino a dar às instalações do antigo colégio. Mario Lopes Pereira

A Real Douro, Promoção e Gestão Imobiliária, SA, venceu o concurso público que a Universidade do Porto lançou no Verão para alienação do ex-Colégio Almeida Garrett, disse esta segunda-feira à Lusa fonte da instituição de ensino superior. Em resposta à Lusa, fonte da Universidade do Porto referiu que, entre as três propostas apresentadas, a da Real Douro, no valor de 6,1 milhões de euros, foi a que apresentou o preço mais alto, sendo a vencedora do concurso.

"A concretização da venda [do imóvel] está ainda em tramitação processual", ressalvou a fonte, adiantando que a escritura pública está prevista para Janeiro. De acordo com o anúncio que foi publicado em 29 de Junho no Diário da República, a "alienação ou concessão do direito de superfície do prédio designado ex-colégio Almeida Garrett" tinha como preço-base 4,768 milhões de euros. A UP definiu como critérios de adjudicação "a proposta economicamente mais vantajosa" ou o preço mais elevado, em caso de venda.

Localizado na freguesia do centro histórico do Porto, o imóvel tem entrada pela Praça do Coronel Pacheco e está inserido num terreno com uma área total de 8520 metros quadrados, suficiente para ali instalar oito campos de futebol. Questionada pela Lusa, fonte da UP adiantou que a área bruta de construção é de 2880 metros quadrados, numa área de implantação de 1170 metros quadrados.

A Real Douro – Promoção e Gestão Imobiliária, SA, tem sede no Marco de Canaveses e, de acordo com informação disponível na Internet, tem como actividade a "compra e venda de prédios e todas as demais operações legalmente permitidas sobre imóveis, compra de imóveis para revenda, investimentos, promoções e gestão imobiliários, exploração de empreendimentos agrícolas e turísticos, turismo de habitação, agro/turismo e turismo rural, hotelaria e similares e comércio em geral".

O edifício do antigo Colégio Almeida Garrett foi "adquirido pelo Ministério da Educação e Investigação Científica para a Faculdade de Engenharia, mas "cedo se constatou que, apesar de a área afecta à Faculdade de Engenharia mais do que ter duplicado, a FEUP só adquiriria a indispensável estabilidade quando fossem projectadas as suas instalações definitivas", construídas no pólo da Asprela, indicava a UP na Internet. A ACE/Teatro do Bolhão veio depois a ocupar aquele espaço até 2015, ano em que se mudou para o Palácio do Conde do Bolhão, que foi adquirido pela Câmara do Porto mas cedido, em regime de comodato, por um período de 50 anos à academia e que sofreu obras de remodelação durante cerca de nove anos, orçadas em 2,8 milhões de euros.

No dia 10 de Julho, a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu ser necessário que o Porto discutisse qual o destino a dar às instalações do antigo Colégio Almeida Garrett, localizado na Baixa da cidade. "Há instituições que vão ter de mudar de espaço – Academia Contemporânea de Espectáculos (ACE) e Teatro Universitário do Porto (TUP) – e há um debate que a cidade do Porto vai ter de fazer sobre o que é que quer no seu centro, como é que o seu centro pode ser vivido e se pode ter gente dentro que não só turistas. É um debate muito importante que se abre neste momento, quando sabemos que este espaço vai ter necessariamente novos usos", sublinhou naquele dia.

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