Disputa da concelhia do PS-Porto: um combate entre costistas e socráticos

Renato Sampaio nega que o ex-líder esteja a contactar os militantes para votarem na candidatura que hoje apresenta na sede da distrital do partido.

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Renato Sampaio (o segundo a contar da esquerda) qualquer envolvimento do ex-líder do partido José Sócrates no recrutamento de apoios Miguel Nogueira

Há uma disputa entre costistas e socráticos na corrida à liderança do PS-Porto, mesmo que publicamente nem António Costa nem José Sócrates tenham falado sobre as suas preferências. Aliás, o deputado e antigo presidente da distrital do PS-Porto, Renato Sampaio, nega que a sua candidatura à concelhia tenha a ver com sobrevivência política e afasta qualquer envolvimento do ex-líder do partido, José Sócrates, no recrutamento de apoios.

São de há muito conhecidas as relações de amizade entre Sampaio e Sócrates, mas o deputado não quer misturar os palcos e refuta acusações que asseguram que o ex-secretário-geral do partido está a apelar ao voto na sua candidatura.

Renato Sampaio apresenta-se como candidato hoje à tarde, na sede da federação distrital do PS, sob o lema “Por uma nova cultura política com a ambição de vencer”. No próximo sábado, é a vez de o também deputado Tiago Barbosa Ribeiro apresentar a sua recandidatura à concelhia portuense.

Ao ser confrontado com a pergunta "é verdade que José Sócrates tem a telefonado a militantes do partido a apelar para que votem na sua candidatura?" Renato Sampaio indigna-se e diz tratar-se de uma “atoarda” para o prejudicar. “É absolutamente mentira que José Sócrates esteja envolvido na minha candidatura à concelhia. Isso é uma atoarda que visa criar um conflito menos agradável entre mim e António Costa”, declarou o deputado ao PÚBLICO, aproveitando para destacar a “cumplicidade” que tem com o actual líder socialista.

Declarando que a sua relação com António Costa “é boa — é uma relação de dois camaradas”—, Renato Sampaio empenha-se em provar que os dois têm um percurso político juntos. “Sempre apoiei António Costa e partilhamos um caminho comum e muitas cumplicidades”, acrescentou o antigo dirigente da federação distrital do Porto. De resto, se for eleito para liderar a concelhia, Renato Sampaio afirma que o Governo e António Costa terão o seu “apoio incondicional”. “Serei solidário com os secretário-geral do PS, António Costa”, acentua, em declarações ao PÚBLICO.

Quanto à sua candidatura à concelhia, revela que ela não ocorre para assegurar um lugar na lista de deputados para a próxima legislatura e atira: “Não estou a arranjar espaço político para ser [de novo] deputado. Sairei quando o entender, não sairei empurrado”. Mas o ex-dirigente socialista vai mais longe: “Não tenho nenhuma ambição, nem disponibilidade para se candidatar a mais lugar nenhum”.

 “Neste momento, o meu propósito é dedicar-me à concelhia para dar uma nova voz ao PS-Porto”, diz, reafirmando que a sua vontade “é terminar a actual legislatura”, encerrando assim a sua vida política. Empenhado em começar a preparar, desde já, a candidatura do partido à Câmara do Porto para disputar as eleições em 2021, Renato defende que o “PS tem de ter a ambição de aspirar a ganhar a câmara nas próximas eleições” e diz que “ninguém será excluído”. Apenas se exclui a si próprio de ser candidato a qualquer lugar autárquico.

Sobre José Sócrates, Renato Sampaio garante que desde que se lançou na corrida à concelhia falou “apenas” uma vez com o ex-primeiro-ministro. Mas por muito que tente sacudir a herança socrática, a sua candidatura surge com a de alguém próximo de José Sócrates, enquanto a de Tiago Barbosa Ribeiro se assume como uma candidatura “totalmente” identificada com o actual líder do partido, António Costa.