O grande carrossel das startups volta a andar à roda

A Web Summit vendeu todos os 59 mil bilhetes e vai novamente transformar Lisboa num palco para o empreendedorismo tecnológico.

Foto
A Web Summit cresceu para a edição deste ano e volta a instalar-se no Parque das Nações Miguel Manso

A maior feira de startups do mundo arranca nesta segunda-feira em Lisboa, com mais de um milhar de empresas a acotovelarem-se em pequenas bancas a distribuir cartões de visita e cerca de mil oradores, entre os quais muitos nomes sonantes do sector e também personalidades com pouca ou nenhuma relação com o mundo da tecnologia.

Durante uma semana, a Web Summit vai transformar a FIL e a Altice Arena, na zona do Parque das Nações, num palco para celebração do empreendedorismo tecnológico. O evento espalha-se em festas e convívios pelos bares e restaurantes da cidade, numa enchente que será maior do que a do ano passado: foram vendidos 59 mil bilhetes, mais seis mil do que na edição de 2016. “Atingimos hoje a capacidade total e não podemos acomodar mais participantes por motivos de segurança”, afirmou na sexta-feira a organização.

Para as startups, a Web Summit é uma oportunidade para se darem a conhecer, cativarem clientes e encontrarem potenciais investidores. Algumas terão direito a sessões privadas de aconselhamento: desde técnicas para contratar pessoas até dicas para o relacionamento com a imprensa.

Para uma startup, porém, a Web Summit é o sítio para um primeiro contacto e não para fechar negócios. Será esta a estratégia da Mobiware, uma empresa bracarense de quatro pessoas, criada este ano e que desenvolve um aplicação para a gestão financeira de trabalhadores a recibo verde. “Estamos com as expectativas em alta para a Web Summit, principalmente no que respeita ao networking [contactos] que este tipo de eventos proporciona. Também estamos receptivos a novos investimentos, no entanto, não é o nosso principal objectivo”, explica o fundador, Carlos Castro.

Para lá do espaço frenético das startups, há as conferências, que se dividem entre o palco principal na Altice Arena e uma mão-cheia de palcos temáticos mais pequenos. O rol de oradores vai de políticos de topo a estrelas do YouTube, passando por muitos executivos de multinacionais e vários fundadores de startups de sucesso.

A lista deste ano inclui o secretário-geral das Nacões Unidas, António Guterres, o antigo candidato presidencial americano Al Gore e o ex-presidente francês, François Hollande. Participam ainda a comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager — que recentemente aplicou uma multa recorde ao Google por questões concorrenciais — e o comissário com a pasta da Ciência e Inovação, Carlos Moedas. Há primeiros-ministros vários e executivos de todas as grandes tecnológicas. Na lista estão também a modelo Sara Sampaio, dois astronautas, uma surfista profissional e Garry Kasparov, o antigo campeão de xadrez transformado em activista político, que jogará uma partida simultânea contra uma dezena de participantes. Alguns oradores vão estar em conversas a que só pode assistir quem tiver convite.

As conferências são curtas. E algumas são pouco convencionais. Logo na terça-feira de manhã subirão ao palco principal dois oradores improváveis: Sophia, uma robô que já no ano passado deleitou a audiência com a sua postura vagamente humana, e o também robotizado Professor Einstein. “A inteligência artificial vai ditar o fim da humanidade? Einstein e Sophia vão debater o que a Inteligência Artificial verdadeiramente significa para nós que somos feitos de carne e osso”, anuncia o programa. O estado da arte da tecnologia não deixa antecipar um debate profundo.

O programa contempla outros temas quentes, como o futuro dos automóveis, as notícias falsas e as moedas digitais (de que a mais popular é a bitcoin), que têm movimentado muitos milhões este ano e causado espanto e desconfiança no mundo financeiro.

Lisboa preparou-se para ser inundada. O trânsito está condicionado em algumas zonas, houve um reforço dos transportes e a EMEL está a promover as suas bicicletas partilhadas. Por seu lado, a Uber decidiu voltar a disponibilizar o serviço UberPool, que permite aos utilizadores partilharem um carro com outras pessoas que queiram fazer trajectos semelhantes. O Airbnb registou 18 mil reservas de alojamento em Lisboa, mais 20% do que no ano passado, e os hotéis estimam uma taxa de ocupação de 88%, com os preços médios a rondarem 145 euros por noite.