Produção hidroeléctrica de Outubro foi a mais baixa desde 1971

Há 46 anos que a produção de electricidade hídrica não era tão baixa num mês de Outubro, revelou a REN. Falta de chuva obriga a reforçar uso do gás e carvão.

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LUSA/Nuno Andre Ferreira

A REN divulgou esta quinta-feira os dados referentes ao consumo de energia de Outubro, que comprovam que a produção hidroeléctrica atingiu no mês passado o registo mais baixo de sempre para este mês do ano desde 1971, quando a gestora da rede começou a tratar estes dados.

De acordo com informação divulgada pela empresa, em Outubro o consumo de energia eléctrica cresceu face ao mês homólogo de 2016, registando um aumento de 2,8%, ou de 1,8%, considerando a correcção dos efeitos de temperatura e número de dias úteis, mas “as condições hidrológicas mantêm-se extremamente negativas”.

Como tal, o índice de produtibilidade hidroelétrica deste mês limitou-se a 0,16 pontos. “Trata-se do valor mais baixo de sempre para o mês de Outubro (registos da REN desde 1971)”, destaca a empresa.

Simultaneamente, na produção eólica “as condições foram também desfavoráveis” com o índice de produtibilidade a ficar nos 0,74 pontos. Este é o terceiro valor mais baixo, para o mês de Outubro, dos registos da REN, neste caso desde 2001.

Assim, “com a produção hidroelétrica muito reduzida, as fontes renováveis abasteceram apenas 30% do consumo de electricidade”, o que se trata do “valor mais baixo deste ano”.

Na produção não renovável – que abasteceu 61% do consumo – o gás natural pesou 32% e o carvão 29%.

Pela primeira vez este ano, o saldo de trocas com o estrangeiro foi importador, abastecendo 9% do consumo nacional.

Considerando o período entre Janeiro e Outubro, o índice de produtibilidade hidroelétrica atingiu 0,55 pontos e o índice de produtibilidade eólica, 0,98 pontos.

No mesmo período a produção renovável abasteceu 40% do consumo, com as centrais hidroelétricas a representarem 11% do consumo, as eólicas 22%, a biomassa 5% e as fotovoltaicas 2%, revelou a REN.

A produção não renovável abasteceu os restantes 60% do consumo, repartido pelo gás natural com 34% e pelo carvão com 26%.

O saldo exportador (de produção renovável) registado de Janeiro a Outubro equivale a cerca de 7% do consumo nacional.

Quanto ao gás natural, a REN revelou que a tendência de crescimento manteve-se em Outubro, “embora mais moderada”, seja no segmento de produção de electricidade, seja no segmento convencional, com variações homólogas de 12% e 1,3%, respectivamente.   

No final de Outubro o consumo de gás natural atingiu uma variação acumulada de 30%, com crescimentos de 105% no mercado eléctrico e de 4,9% no mercado convencional.