Líder troca Lisboa pelo Funchal para defender moção de censura ao governo regional

Presidente dos socialistas madeirenses apresenta quinta-feira moção de censura ao governo de Miguel Albuquerque. Lugar de Carlos Pereira em São Bento vai ser ocupado por Adelaide Ribeiro.

Carlos Pereira é o líder do PS-Madeira
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Carlos Pereira é o líder do PS-Madeira Rui Silva/Aspress

É a segunda moção de censura ao governo de Miguel Albuquerque. Na próxima quinta-feira, o PS-Madeira leva ao parlamento regional o que diz ser a “censura” da população madeirense a um governo que, dois anos depois de ter tomado posse, tem “falhado” nos compromissos com o arquipélago.

“Este governo, que tem uma maioria parlamentar, tem tido todas as condições para cumprir as promessas que fez e resolver dossiers importantes como o ferry [entre a Madeira e o continente], a mobilidade aérea, a redução de impostos ou o aumento da competitividade dos portos”, argumenta ao PÚBLICO Carlos Pereira, que vai suspender o mandato de deputado em São Bento e retomar o lugar na assembleia madeirense para defender a moção de censura.

Pereira, que é "vice" da bancada socialista na Assembleia da República, justifica o regresso ao Funchal, com a vontade de estar onde “acrescenta mais valor”, na defesa dos interesses madeirenses, sendo substituído em Lisboa por Adelaide Ribeiro. “O momento político e social actual exige que o líder do maior partido da oposição esteja presente”, diz Carlos Pereira, apontando sucessivas falhas ao executivo social-democrata que governa a região autónoma desde Abril de 2015. “O caso da saúde é paradigmático. Este governo já teve três secretários regionais e os problemas graves continuam”, acusa, dizendo que as sucessivas remodelações governamentais revelam uma grande instabilidade no executivo.

“Esta última [remodelação] foi bastante profunda e a sensação que ficou é que caiu todo o governo”, sustenta, acrescentando que, embora a maioria parlamentar – o PSD tem 24 deputados, em 47 – dê legitimidade a Albuquerque, os resultados das autárquicas “mostram” que os madeirenses já não estão com este governo. “O que o PS está a fazer, com esta moção de censura, é dar corpo ao sentimento da população”, sublinha.

Em Junho de 2016, o PCP apresentou uma moção de censura ao governo madeirense, depois de uma série demissões em bloco no sistema regional de Saúde. A moção viria a ser rejeitada pelo PSD. O CDS absteve-se, e PS, JPP, BE, PTP e um deputado independente votaram a favor.

Esta segunda moção de censura ao executivo regional do PSD é debatida nove dias depois de o Governo minoritário do PS do continente ter estado debaixo do fogo da oposição, na sequência da moção de censura apresentada pelo CDS. Em Lisboa, a esquerda uniu-se (contra a direita) em torno da equipa de António Costa. No Funchal, Miguel Albuquerque não precisa de aliados.