Fotógrafo Terry Richardson banido da Vogue e não só

Profissional foi impedido de trabalhar no grupo Condé Nast que inclui as revistas Vogue e Vanity Fair, entre outras.

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Danny Moloshok/Reuters

Terry Richardson, fotógrafo de moda norte-americano, foi impedido de trabalhar com algumas das revistas mais vendidas no mundo, revela o jornal Daily Telegraph, que teve acesso a uma nota interna da Condé Nast, o grupo de que fazem parte revistas como a Vogue, GQ e a Vanity Fair

Os trabalhos de Richardson são conhecidos pelo arrojo, poses provocadoras e por serem, muitas vezes, sexualmente explícitos. Segundo o site Fashionista, trata-se de um profissional sobre o qual recaem várias acusações de agressão sexual – as quais Richardson sempre negou – e que, apesar disso, continua a ser contratado quer para fazer fotografia editorial, quer para comercial.

Mas não é de acusações que fala a mensagem de correio electrónico assinada pelo vice-presidente executivo da Condé Nast, James Woolhouse, e enviada para todos os escritórios do grupo de media, espalhado pelo mundo, na segunda-feira. Esta é muito clara: diz que não se contrata mais Richardson e que todos os trabalhos que este tenha feito e que não foram ainda publicados devem ser substituídos por outro material, cita o TheTelegraph.

No domingo, o jornal britânico TheTimes questionava como é que, depois de conhecido o escândalo que envolve o produtor cinematográfico Harvey Weinstein, Richardson ainda continuava a trabalhar. O texto chama-lhe mesmo o "Harvey Weinstein da moda" e cita uma ex-editora da revista i-D, Caryn Franklin, dizendo que o comportamento do fotógrafo é um segredo de polichinelo: "As pessoas eram cautelosas. . . Todas conheceram alguém que conhecia alguma coisa."

Na sexta-feira, uma carta do próprio Richardson – que trabalhou com Beyoncé, Rihanna, Lady Gaga e até com Barack Obama – publicada no site do Huffington Post abordou os "rumores" sobre a sua conduta. Nesta, o fotógrafo lembra que trabalhou com "mulheres adultas" que estavam conscientes do que lhes era pedido e que assinaram contratos claros sobre o trabalho que fariam com ele. O profissional declara que nunca obrigou ninguém a fazer algo que não quisesse, cita a Elle.

Segundo a Newsweek, as primeiras acusações sobre o comportamento do fotógrafo surgiram em 2010. E se muitas revistas e empresas continuaram a colaborar com Richardson, outras deixaram de o fazer como a Aldo, H&M e Target. No entanto, não perdeu marcas como a Valentino, por exemplo.

O Telegraph lembra que o profissional trabalhou na indústria da moda e na da música, tendo não só fotografado mas também feito videoclips. Por exemplo, em 2013, Richardson realizou o vídeo de Wrecking Ball, onde Miley Cyrus aparece nua. Mais tarde, a cantora confessou que se arrependeu de o ter feito.