Merkel aconselha Kurz a optar por um bloco central

Líder do Partido Popular que venceu as eleições na Áustria teme ficar fora do governo se houver uma “geringonça” entre sociais-democratas e o Partido da Liberdade.

Sebastian Kurz
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Sebastian Kurz Reuters

A chanceler alemã, Angela Merkel, aconselhou o líder do Partido Popular Austríaco (ÖVP), Sebastian Kurz, a optar por formar governo com os social-democratas (que ficaram em segundo lugar nas eleições de domingo), em vez de se coligar com o Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema-direita. Um bloco central é sempre uma melhor solução, terá dito Merkel a Kurz na cimeira do PPE em Bruxelas que antecede o Conselho Europeu.

ÖVP saiu reforçado das eleições de domingo na Áustria. Foram antecipadas devido aos desentendimentos com o parceiro da “grande coligação”, o Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ), com que governava desde o ano passado (e durante os últimos dez anos), mas com o qual tinha divergências profundas a nível da reforma fiscal ou a política de acolhimento de refugiados.

No arranque da cimeira do PPE, Sebastian Kurz disse à sua família política europeia que o SPÖ teria sugerido que poderia aceitar uma nova coligação, mas desde que os social-democratas ficassem com a liderança do governo – o cargo de chanceler. O  ÖVP poderia ter mais pastas ministeriais do que as que lhe caberiam numa distribuição proporcional aos votos. Recorde-se que o ÖVP venceu as eleições com 31% dos votos, enquando os sociais-democratas ficaram com 27%.

Kurz considerou a proposta inaceitável, uma vez que a vitória era sua, mas confessou aos seus correligionários temer que não viesse sequer a ficar no governo, caso vingasse na Áustria uma solução à portuguesa, em que os sociais-democratas avançassem com uma “geringonça” com o partido de extrema-direita.

Angela Merkel deixou claro na sala que preferia sempre uma solução de bloco central na Áustria, um assunto que terão discutido a seguir em privado, numa reunião bilateral à margem da cimeira do PPE.

Pela sua parte, a chanceler disse que, na Alemanha, após as eleições de 24 de Setembro, se procura uma coligação “Jamaica”, com a CDU/CSU, os Verdes e os Liberais, depois dos socialistas liderados por Martin Schulz terem afirmado que iriam ficar na oposição, e de nenhum partido considerar aliar-se com a extrema-direita da AfD, que entrou no Parlamento pela primeira vez desde há décadas.

A jornalista viajou a convite do PPE

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