O conforto e a cor do próximo Verão no Portugal Fashion em Lisboa

Primeiro dia de desfiles juntou Luis Onofre, Pedro Pedro e Alves/Gonçalves num antigo armazém em Marvila. Storytailors fizeram apresentação no Rive-Rouge.

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Storytailors Ugo Camera
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Pedro_Pedro Ugo Camera
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Carlos Gil Ugo Camera
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Luis Onofre Ugo Camera
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TM Collection Ugo Camera
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Alves/Gonçalves Ugo Camera
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Num dia bem quente de Outono, a 41.ª edição do Portugal Fashion começou sábado, na cidade de Lisboa. As propostas de Primavera/Verão 2018 de seis criadores portugueses levaram os convidados do bar Rive-Rouge, no Mercado da Ribeira, ao Armazém 16 — parte de um antigo complexo industrial construído na primeira metade do século XX —, em Marvila.

Os Storytailors já tinham abandonado, na estação passada, o modelo tradicional de desfile, optando antes por uma apresentação na loja da marca, em Lisboa, com um formato see now-buy now. Agora, a dupla criativa voltou a quebrar moldes: vestiram um grupo de modelos e deixaram-nos circular pelo meio do Rive-Rouge, incitando no público um estado de quase sonho acordado. “Queríamos comunicar a ideia da capicua, de que tudo se transforma e o tempo é fluido”, explica Luís Sanchez ao PÚBLICO. A colecção reflecte essa ideia, com peças andróginas, onde o espartilho — que é quase um símbolo da marca — aparece desconstruído nas peças de homem e mulher.

O dia prosseguiu num antigo armazém, em Marvila. Pedro Pedro e Carlos Gil mostraram as coloridas colecções de athleisure — peças que misturam a estética do dia-a-dia com a de equipamento de ginásio — que já tinham apresentado, em Setembro, em desfiles do calendário paralelo da semana de moda de Milão.

Primeiro foi a vez de Pedro Pedro, que criou uma autêntica explosão de cores dos anos 1980 para a próxima estação. A apresentação começou em tons mais sóbrios, passando depois para conjuntos de rosas e encarnados e terminando em misturas de amarelo, azul, laranja, verde, cor-de-rosa e roxo. “Tento sempre explorar coisas que nunca explorei”, admite o criador. “Passei algum tempo em que era um rapaz bege, para um rapaz monocromático bonitinho. Agora apeteceu-me fazer uma coisa diferente.”

Já a colecção de Carlos Gil partiu da “arquitectura contemporânea” — algo visível logo nos desenhos geométricos que acompanhavam as várias silhuetas e cores em tons de pastel. Deu-lhe o nome Tropical Urban e explica porquê: “na arquitectura contemporânea e na arquitetura orgânica, as torres hoje têm todas jardins, quase florestas.” As silhuetas femininas que propõe são, ao mesmo tempo, desportivas e confortáveis, reflectindo aquilo que, segundo o criador, as pessoas procuram hoje: “[querem] um apartamento numa torre, mas que seja confortável. Que seja no centro da cidade, mas ao mesmo tempo que estejam quase na floresta”.

Os dois criadores mostram-se satisfeitos com os resultados da presença há algumas estações em Milão, com o apoio do Portugal Fashion. Pedro Pedro fala em seis novos pontos de venda que deverão concretizar-se brevemente e Carlos Gil diz estar contente com a distribuição para países asiáticos, concretamente Xangai, na China, através do showroom na cidade italiana.

Teresa Martins — criadora da TM Collection — deu um espetáculo que levou o público numa aventura com todas as voltas de uma montanha russa. Houve música ao vivo, bailarinos de dança contemporânea e até um momento de striptease, quando o grupo de homens que marchavam de um lado para o outro, tapados por máscaras brancas, revelaram a identidade e despiram os fatos no meio da passerelle.

As figuras brancas, explicou mais tarde a criadora, simbolizavam “guerreiros sem identidade”. “Há hoje uma massificação grande, as pessoas compram tudo o que é barato, ficam todas iguais”, acrescenta. A colecção foi uma viagem pelo mundo — algo que está, aliás, no ADN da marca — passando sobretudo pela Índia, onde a criadora desenvolve grande parte dos tecidos próprios. A mistura de sedas com malhas é algo que caracteriza a marca — e que Suzy Menkes observou quando esteve na open house organizada pelo Portugal Fashion, na residência oficial da embaixada de Portugal, em Londres.

Luis Onofre desceu do Porto a Lisboa — algo que não acontecia “desde 2007”, diz — e propôs às mulheres que na próxima estação usem as jóias nos pés. As pedras de diversas cores e feitios que enfeitavam as sandálias (e também as carteiras) foram inspiradas nos adornos usados pelos povos da Mesopotâmia. “Quanto mais via a joalharia daquela altura, mais me motivou para continuar com este tema”, comenta o criador. A colecção de homem, pelo contrário, centrava-se nos clássicos, com uma estética simples.

“Houve um retrocesso na altura dos saltos”, afirma Luis Onofre, comentando o facto de grande parte das sandálias terem um salto médio. “É claro que os stiletto têm sempre de existir, mas finalmente as mulheres conseguiram dar volta”, declara sorridente.

O criador abriu recentemente a sua segunda loja própria no Porto, na Avenida da Boavista — mais concretamente na entrada do edifício Aviz — e diz que “está a correr muito bem”. “O conceitos das lojas foram bons no mercado nacional [no Porto e em Lisboa], para ganhar experiência e poder depois internacionalizar”, comenta.

Coube à dupla Alves/ Gonçalves fechar o dia na capital, com optimismo e bom-humor. “[Procurámos] uma alternativa para o universo que achamos que está a ser demasiado clássico”, explica Manuel Gonçalves. Para isso quebraram algumas regras, a começar pelos tecidos enrugados dos casacos e calças e pelas silhuetas esculturais dos coordenados de organza.

O Portugal Fashion regressa ao Porto, esta semana, com os desfiles entre 19 e 21 de Outubro. Primeiro no Museu do Carro eléctrico, onde apresentam os novos talentos da plataforma Bloom, e depois na Alfândega do Porto, como nomes como Diogo Miranda, Katty Xiomara e Nuno Baltazar.