Dan Brown foi a Frankfurt anunciar o fim de Deus

O escritor de best-sellers que sempre se protegeu da sua fama saiu da toca. Tem um novo romance, Origens, que lançou esta quinta-feira na maior feira do livro do mundo; domingo estará em Lisboa.

RONALD WITTEK/ EPA
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Dan Brown tem sentido de humor. Quando esta quinta-feira de manhã entrou na sala onde decorreu a sua conferência de imprensa na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, onde veio lançar o seu novo livro Origem (ed. Bertrand) – antes de partir para Portugal onde também apresentará o romance numa sessão no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no próximo domingo –, foi quase engolido por fotógrafos e operadores de câmara, apesar de estar rodeado de seguranças. Para acalmar o tumulto, apelou à calma, dizendo que não tinha mudado muito “nos últimos cinco minutos": "Talvez tenha mudado em comparação com o que era há cinco anos”, concedeu.

Passada em Espanha, país onde Dan Brown chegou a viver e a que regressou para escrever o novo romance, esta quinta aventura de Robert Langdon (a personagem do professor de simbologia e iconologia da Universidade de Harvard que o transformou num autor com mais de 200 milhões de livros vendidos em todo o mundo) surgiu-lhe, tal como todas as anteriores, a partir de alguma coisa que leu ou que viu. Neste caso, uma peça musical, a Missa Charles Darwin, de Gregory Brown, compositor profissional que por acaso é seu irmão, fê-lo começar a pensar nas batalhas entre ciência e religião. “Decidi que que queria ter neste livro personagens católicas, muçulmanas, há também um rabino. Quis mostrar que as religiões têm muito mais similaridades do que diferenças. Mesmo que sejamos ateus, temos todos a mesma sensação quando estamos deitados a olhar para as estrelas no céu: seja lá o que for, é maior do que eu, é maior do que a minha experiência.” O escritor lembrou que “vivemos as mesmas experiências em diferentes culturas": "E a questão mantém-se: se as nossas experiências são as mesmas, porque são as nossas religiões diferentes? A resposta que pretendo dar no romance é que as nossas religiões não são diferentes. A diferenças aparecem quando tentamos usar a linguagem; aí, na comunicação começam a divergir mas na essência são as mesmas.”

Origem é o livro em que Brown quis responder à pergunta: “Vai Deus sobreviver à ciência?”. Na Feira do Livro de Frankfurt, reafirmou que “historicamente nenhum Deus sobreviveu à ciência”. O escritor acredita que com os avanços da tecnologia a espécie humana vai relacionar-se de outro modo. “Acredito, depois de ter falado com muitos cientistas e de ter lido muito sobre religião, que nas próximas décadas a nossa espécie vai conectar-se a um nível a que não estamos habituados”, afirmou. “Nessa altura vamos encontrar as nossas experiências espirituais nessas interconexões. É isso que vai passar a ser o nosso divino. A nossa necessidade como espécie do divino ou de um Deus exterior que nos julga ou a quem colocamos questões ou pedimos ajuda, essa necessidade, vai diminuir ou mesmo desaparecer.”

Em Frankfurt, confessou que nos últimos anos tem lido centenas de livros, mas nenhum de ficção. A sua leitura mais recente foi Life 3.0: Being Human in the Age of Artificial Intelligence, de Max Tegmark, um professor do MIT. Deixou no ar que poderia vir a escrever um livro de não-ficção e ainda teve tempo para gracejar “Todas as pessoas se queixam que o Robert Langdon nunca fica com a rapariga no fim. Quero que se lembrem que estes livros se passam em 24 horas. Não sei em que mundo vocês vivem, mas no meu mundo isso não acontece assim tão depressa." 

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