Crítica

A história como lição

Como biografia de Django Reinhardt, Melodias de Django não resulta; como filme de tema sobre a Segunda Guerra Mundial, ainda menos.

<i>Melodias de Django</i>: o acordar da consciência cívica do guitarrista
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Melodias de Django: o acordar da consciência cívica do guitarrista

Étienne Comar, produtor de gente geralmente recomendável como Xavier Beauvois ou Abderrahmane Sissako, quis passar à realização, e não fez a coisa por menos: atirou-se à vida de Django Reinhardt (1910-1953), o lendário guitarrista cigano e figura tutelar do jazz do século XX. Mas, apesar de tratar de factos verídicos e de ser um filme “aprovado” pelos herdeiros, esta não é uma biografia tradicional de Reinhardt, nem um olhar sobre a sua música. É, em vez disso, uma história sobre o acordar da consciência cívica do guitarrista, ambientada durante a Segunda Guerra Mundial, numa Paris ocupada onde Django, coqueluche da noite, faz vistas curtas ao que se passa à sua volta até testemunhar como os ciganos estão a ser alvo da perseguição nazi. E Melodias de Django descamba rapidamente num daqueles filmes “de tema”, cheio de boas intenções, onde tudo parece estar ao serviço do tema. É assinalável que o cinema mainstream se interesse, por uma vez, pelo destino dos ciganos no Holocausto – mas Comar não é capaz de o trabalhar com energia, entusiasmo ou sequer solidez, reduzindo as suas personagens a meros bonecos numa lição de história contada sem paixão nem convicção, e desiludindo de caminho todos aqueles que esperavam de Melodias de Django um filme sobre o músico e a música. É uma oportunidade perdida, por onde se quiser ver.

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