Rangel diz que “não há razão nenhuma para não instalar a EMA no Porto"

Eurodeputado esteve reunido com uma comitiva da candidatura do Porto a sede da EMA e aproveitou para Bruxelas que “é fundamental que a UE procure colocar estas instituições não nas cidades capitais, mas nas segundas e terceiras cidades”.

Paulo Rangel está empenhado na candidatura do Porto a receber a sede da EMA
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Paulo Rangel está empenhado na candidatura do Porto a receber a sede da EMA Fernando Veludo/nfactos

A uma semana da reunião do Conselho Europeu que analisará a relocalização da Agência Europeia do Medicamento (EMA), ainda que de uma forma marginal, o eurodeputado Paulo Rangel sai em defesa da coesão social e deixa um recado a Bruxelas: “É fundamental que a União Europeia procure colocar estas instituições não nas cidades capitais mas nas segundas, terceiras, quartas cidades”.

Numa altura em que "já há avaliações técnicas e estudos de várias proveniências (muitos deles independentes) e que vão tentando escalonar as cidades em função das suas vantagens e desvantagens", Paulo Rangel entende que a decisão relativamente à EMA deve ter em conta a "criação da Europa das cidades e não propriamente a Europa dos Estados puros e duros".

O eurodeputado social-democrata decidiu promover esta semana a candidatura do Porto a sede da EMA junto dos deputados no Parlamento Europeu, trazendo a Bruxelas uma embaixada de "diversos notáveis" da cidade, entre reitores de universidades, académicos e representantes de instituições culturais.

Em declarações aos jornalistas esta quarta-feira, na Comissão Europeia, no final de um encontro com o comissário europeu para a investigação, ciências e inovação, Carlos Moedas, no qual participaram mais de uma dezena de personalidades da cidade e os dois elementos da comissão de candidatura, Eurico Castro Alves e Ricardo Valente, o eurodeputado assumiu estar a fazer uma "acção lobbying" em defesa da candidatura do Porto.

Afirmando tratar-se de uma "iniciativa suprapartidária" e que foi acordada com o Governo, Rangel elogiou o "empenho irrepreensível" da comissão de candidatura e apontou as "vantagens competitivas" que apresenta.

"Estamos aqui a publicitar a candidatura, a mostrar que tem todas as condições técnicas, que tem imensas vantagens competitivas. Estamos a fazê-lo junto das instituições europeias, a um nível que eu diria não tanto oficial, mas mais informal". Explicando melhor, Rangel disse que esta "acção de lobbying” se destina a sensibilizar aqueles que são os "actores chave que não vão propriamente decidir, mas que que têm um poder suave de influência, porque esses é que podem formar a opinião daqueles que no dia 20 de Novembro vão ter de tomar uma decisão final e que no dia 19 de Outubro vão tomar uma decisão com efeitos já bastante limitativos do que será a escolha final".

"Isto é uma acção de lobbying no sentido positivo", reafirmou, concretizando: "Vamos procurar escolher deputados que chefiam delegações da Amanha, Itália, França e Eslovénia e que normalmente estão ligados aos partidos que neste momento estão no governo. São aqueles que fazem canal de ligação entre os governos e Parlamento Europeu e esses, naturalmente, têm de conhecer a candidatura” para que conquiste votos e consiga sair ganhadora, entre as outras 18 cidades que estão a disputar a sede da Agência Europeia do Medicamento, referiu.

Reconhecendo que o desafio é difícil e que se está perante uma corrida contra o tempo uma vez que a primeira decisão será tomada no dia 20 de Novembro, o eurodeputado social-democrata empenhou-se em mostrar que “nesta matéria em particular existe uma total sintonia de todos os deputados. Há uma união e um esforço muito grande”.

Tendo em conta que pertencem a famílias políticas diferentes, Rangel afirmou que o pedido feito aos 21 deputados nacionais foi que "cada um, junto dos seus grupos parlamentares, possa fazer a publicidade adequada". Mas para isso, sustentou, precisam de ter informação sobre as características da candidatura e também a percepção de quais são os pontos onde – notou – "temos de melhorar".

A propósito, reafirmou que o que está em causa "não é a criação de uma nova agência, mas a sua relocalização e que é importante fazer a coesão territorial também para as cidades médias e não apenas para as cidades capitais”. Nesta recta final, Portugal tem de se empenhar em passar a mensagem. “O Porto é um cluster de conhecimento, é um cluster universitário altamente virado para as matérias da saúde. É preciso mostrar que nós temos condições para acolher uma instituição destas como tem uma cidade como Milão e Amesterdão”.

E terminou: “Se há uma União Europeia que acha que a Europa vai de Vigo até Varna [Bulgária], não há razão nenhuma para não instar a EMA no Porto”. 

O PÚBLICO viajou a convite do grupo parlamentar do PSD no Parlamento Europeu.

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