Miguel Pinto Luz também não entra na corrida à sucessão do PSD

Depois de Paulo Rangel, Luís Montenegro, Pedro Duarte e Marques Mendes, também o número dois de Carlos Carreira se coloca de fora da disputa pela liderança do PSD.

Miguel Pinto Luz é visto como herdeiro do passismo
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Miguel Pinto Luz é visto como herdeiro do passismo Nuno Ferreira Santos

Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais e ex-líder da distrital do PSD-Lisboa, não vai entrar na corrida à presidência do PSD. A informação é dada como certa pela edição digital do jornal Expresso que cita fonte próxima do autarca e foi confirmada pelo PÚBLICO. 

O social-democrata considerou não reunir condições políticas para uma candidatura à liderança do PSD depois de Santana Lopes se posicionar na corrida e também anunciar que pretendia agregar à sua volta os jovens do partido. Como uma candidatura em parte geracional - contra a de Rui Rio - ficaria comprometida e iria buscar votos mais aos apoiantes de Santana do que ao ex-autarca do Porto. Pinto Luz poderia acabar por ser acusado de dividir o partido e de isso contribuir para uma vitória de Rio.   

Apontado como herdeiro do passismo por ter ascendido no partido na era Passos Coelho, Pinto Luz junta-se assim a Paulo Rangel, Luís Montenegro, Marques Mendes e Pedro Duarte, as quatro personalidades que foram desafiadas a avançar e recusaram. No caso de Pinto Luz, foi Miguel Relvas, também em entrevista ao Expresso, que lançou o nome na corrida.

Pedro Santana Lopes, pelo contrário, assumiu na terça-feira à noite, no seu espaço habitual de frente-a-frente, na SIC Notícias (partilhado com António Vitorino), que é candidato à cadeira que Passos Coelho deixará vaga na sequência das eleições internas agendadas para 13 de Janeiro de 2018. Rui Rio apresenta hoje a candidatura. Estão conhecidos os dois lados em disputa. Pelo menos para já.

Miguel Pinto Luz tem 40 anos e foi líder da distrital de Lisboa do PSD até ao Verão deste ano, tendo sido substituído por Pedro Pinto. Depois de seis anos à frente da distrital, o dirigente protagonizou (assim como o então líder da concelhia Mauro Xavier) uma polémica em torno da candidatura do PSD a Lisboa. Falhou a opção por Santana Lopes e sucederam-se os candidatos noticiados. O processo acabou por ser devolvido à direcção nacional e Passos Coelho escolheu Teresa Leal Coelho. Depois de ser aprovado o nome - muito contestado na estrutura de Lisboa - e de as listas candidatas estarem concluídas, Pinto Luz convocou eleições na distrital em Julho sem querer prolongar o mandato de presidente como fizeram muitas distritais no país por causa das eleições autárquicas. O social-democrata, que já era candidato autárquico na lista da Câmara de Cascais, alegou também motivos pessoais para sair naquela altura. O certo é que não ficou colado ao resultado desastroso de Teresa Leal Coelho em Lisboa. 

Só por uma vez, em 2015, foi membro de um Governo. Fez uma pausa de um mês e meio no cargo de vice-presidente da Câmara de Cascais para entrar no segundo governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas que acabou por ser derrubado pela maioria de esquerda no Parlamento. Agora, e de acordo com a fonte citada pelo Expresso, “entende que não reuniu as condições políticas para consubstanciar uma candidatura”.