“Carlos Alexandre não poderá ser juiz neste processo”, dizem advogados de Sócrates

As acusações, argumentam João Araújo e Pedro Delille, puseram o antigo governante socialista num “julgamento mediático”. A defesa refere que está pendente um recurso ao juiz Carlos Alexandre e não acreditam, por isso, que ele possa conduzir o processo.

João Araújo e Pedro Delille, advogados de José Sócrates
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João Araújo e Pedro Delille, advogados de José Sócrates LUSA/MIGUEL A. LOPES

Depois de terem considerado que as acusações a José Sócrates eram um “romance vazio de factos e provas”, os advogados de José Sócrates (João Araújo e Pedro Delille) voltaram a garantir numa conferência de imprensa dada nesta quarta-feira que “não há crime algum” por parte do antigo primeiro-ministro e que procederão agora à análise do documento da acusação, que tem mais de quatro mil páginas.

Os dois advogados consideram que o processo passará agora das mãos do Ministério Público para as de um juiz que, presumem, seja “honesto, isento e imparcial”. A defesa acredita que “não haverá a possibilidade” de Carlos Alexandre ser nomeado para ser juiz de instrução no processo conhecido como Operação Marquês: “Está pendente um recurso interposto na segunda-feira. Por esse recurso ou por outra razão qualquer parece-me objectivo que o juiz Carlos Alexandre assumiu um protagonismo tão grande ao lado do titular do inquérito que não pode ser juiz de instrução”, afirmou Pedro Delille.

Da primeira análise superficial feita pela defesa de José Sócrates, os advogados acreditam que se trata de “insubsistentes factos chamados indícios” que só serviram para “prender e manter preso” o antigo primeiro-ministro. “A prisão apenas serviu para investigar”, declara João Araújo, adiantando que o que justificou a prisão “nem sequer está na acusação” e não chegou a ser investigado. É “um conjunto de ilações que são falsas e que não têm qualquer suporte em nenhum dos elementos de prova que conhecemos”, complementou o advogado Pedro Delille.

Segundo a acusação, o antigo banqueiro Ricardo Salgado (um dos 28 arguidos e também acusado nesta quarta-feira) terá pagado cerca de 35 milhões de euros em "luvas" ao antigo governante. “É uma opinião, uma imputação do Ministério Público [MP]”, refuta o advogado Delille, adiantando que não devem ser eles a responder a isso mas sim o MP.

“Como as anteriores amputações, vazia de factos e de provas. Oca”, garantiu João Araújo. “Para o Ministério Público tratou-se de reescrever a história”, disse ainda, argumentando que o processo expôs Sócrates a “uma espécie de julgamento mediático e a difamação”. Ambos os advogados hesitaram em responder se pediriam a abertura de instrução, justificando que ainda não conhecem o processo na íntegra.

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