William e Máxima no Intendente

O projecto Largo Residências faz parte da rede city makers, impulsionado por uma organização holandesa.

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Os reis da Holanda, Willem-Alexander e Maxima Reuters

Em Lisboa há uma iniciativa com ligações à Pakhuis de Zwijger através da rede city makers. É por isso que os reis Willem-Alexander e Máxima da Holanda visitam esta quarta-feira à tarde o Intendente, em Lisboa, onde está o Largo Residências. 

Algures em 2011, Marta Silva tinha acabado de lançar no Intendente o seu projecto de residências artísticas e escola de artes performativas. Foi então que lhe disseram que o gabinete do presidente da Câmara Municipal, na altura liderada por António Costa, estava prestes a transferir-se para a mesma área. O bairro ainda vivia muito conotado com a prostituição e o tráfico de droga e havia uma vontade política para o mudar. 
“Acabou por ser um acaso feliz, mas sabíamos que com a vinda dele iria haver mais atenção para esta zona do território e ser benéfico para o nosso projecto em termos económicos, mas por outro lado poderia ser algo frágil se se tratasse apenas de pressa política em mostrar à cidade que esta zona estava a mudar”, diz a bailarina ao PÚBLICO.
Desde então, o Largo Residências, em pleno Intendente, tem estado na linha da frente da mudança do bairro. Marta lembra-se da primeira vez que viu o prédio que iria alojar o seu projecto nos anos seguintes. “Olhei com os meus olhos de bailarina e pensei que não daria para fazer nada artístico, era só quartos e mais quartos.” Mas foi o edifício que lhe deu as respostas e guiou o projecto.
Os 22 quartos passaram a ser divididos entre as residências artísticas e úm hostel, que serve para financiar a renda e as obras. Mas depressa as questões relacionadas com a vivência na cidade passaram a ocupar grande parte da agenda da associação. O objectivo era trabalhar com os habitantes do Intendente — Marta conheceu em 2015 os city makers, percebeu que “as perguntas são as mesmas” e ligou o seu projecto à rede. 
O primeiro passo foi “desenhar um conjunto de projectos baseados num diagnóstico social muito real, ou seja, o que é que é necessário fazer com estas pessoas para as agarrar e ser uma espécie de pílula do dia seguinte para a gentrificação”, explica Marta Silva.