Prémio para norte-americano pioneiro a explicar a economia com a psicologia

Academia premeia Richard Thaler pelo seu contributo para o estudo da economia comportamental.

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Richard H. Thaler, que é professor na Universidade de Chicago LUSA/UNIVERSITY OF CHICAGO BOOTH SCHOOL OF BUSINESS HANDOUT

O economista norte-americano Richard H. Thaler, um dos nomes mais importantes no campo da economia comportamental, foi distinguido esta segunda-feira com o Prémio Nobel da Economia.

O galardão – cuja designação oficial é Prémio do Banco da Suécia para as Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel – é o 49.º que é atribuído desde 1969 e foi justificado pela Academia Real Sueca das Ciências pelo contributo que Richard Thaler deu para a “compreensão da psicologia da economia”.

A ideia por trás da economia comportamental e da integração da psicologia no estudo da economia é a de que, para além dos interesses próprios, os agentes económicos também têm preferências sociais e tomam decisões levando em conta outros factores, como a justiça, por exemplo.

Richard H. Thaler, que é professor na Universidade de Chicago, é um dos nomes de referência neste campo de estudo, sendo algumas vezes referido como “pai da economia comportamental”. A academia assinalou que Thaler ajudou a economia comportamental a passar da “margem para o centro” da ciência económica.

Nas suas primeiras declarações após ter recebido o prémio, o economista afirmou que o impacto mais significativo que o seu trabalho teve “foi o reconhecimento de que os agentes económicos são humanos e que os modelos económicos têm de incorporar isso”.

Uma das questões estudadas por Thaler foi a forma como o sentimento de justiça pode desempenhar um papel muito importante nas decisões económicas. Alguns exemplos: se um vendedor de chapéus de chuva vender cada chapéu por dez dólares em tempos normais, mas duplicar ou triplicar esse preço quando está a chover, os potenciais compradores podem considerar isso injusto e recusar-se a comprá-los. Deste modo, o próprio vendedor pode ser forçado a incorporar este sentimento de justiça na definição dos preços. A mesma lógica pode aplicar-se na definição dos salários em tempos de crise e em tempos de expansão, o que pode ser um motivo para que exista uma relativa estabilidade no valor dos salários, mesmo em períodos de grande flutuação económica.

Richard Thaler publicou também diversos trabalhos que analisam a forma como, nos mercados financeiros, são tomadas decisões de investimento que não são racionais. Em 2015, a este propósito, o agora prémio Nobel já tinha tido um momento sob os holofotes da fama, com uma breve aparição no filme A Queda de Wall Street (The Big Short no título original), em que surge ao lado de Selena Gomez a explicar como funciona um complexo produto financeiro denominado "Synthetic CDO". Thaler explica igualmente como é que um investidor, um apostador ou mesmo um jogador de básquete tendem a acreditar, quando são bem sucedidos nas suas primeiras tentativas (investimento, aposta ou lançamento ao cesto), que tudo vai continuar a correr bem no futuro, persistindo em novas tentativas para além do que seria racional e conduzindo em alguns casos a perdas de grande dimensão.