Roman Polanski enfrenta nova acusação de violação

Ex-actriz alemã queixou-se à polícia suíça de ter sido atacada sexualmente pelo realizador polaco em 1972, quando tinha 15 anos.

Roman Polanski fotografado na Suíça, em 2010
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Roman Polanski fotografado na Suíça, em 2010 Denis Balibouse/ Reuters

O realizador polaco Roman Polanski está de novo a confrontar-se com o passado. Renate Langer, uma ex-actriz alemã nascida em Munique em 1956, acusou-o, no passado mês de Setembro, de a ter violado em Fevereiro de 1972, na cidade de Gstaad, quando ela tinha 15 anos.

A acusação foi feita à polícia de St. Gallen, na Suíça, e a notícia foi difunduida esta terça-feira pelo jornal The New York Times, citando uma fonte da instituição.

O director de comunicação da polícia suíça, Krusi Hanspeter, confirmou também à agência France Press a acusação contra o realizador de O Pianista. Renate Langer, agora com 61 anos, decidiu finalmente revelar o episódio numa audiência no dia 26 de Setembro. Contou que Polanski a convidou a acompanhá-lo a uma casa quando ela, ainda teenager, trabalhava como modelo.

Cerca de um mês depois, ainda segundo Langer, o realizador pediu-lhe desculpa pelo sucedido, e ofereceu-lhe um papel no filme que então rodava em Roma, What? (1972), com Marcello Mastroianni e Sydne Rome como protagonistas. A jovem aspirante a actriz – cujo nome surge na ficha artística do filme grafado como Renee Langer – viajou para a capital italiana, onde terá sido novamente violada pelo cineasta polaco quando se encontrava sozinha na casa que alugara.

Segundo explicou ao New York Times, Langer só decidiu revelar estes episódios agora porque não quis fazê-lo enquanto os pais estivessem vivos – o pai faleceu no último Verão, a mãe há dois anos. “Na altura, eu senti-me envergonhada, só e perdida”, confessou a ex-actriz (Armadilha de Vénus, de Robert van Ackeren, de 1988, é a última longa-metragem da sua filmografia). “A minha mãe teria um ataque cardíaco", acrescentou.

Langer decidiu também recorrer agora à polícia suíça por se tratar de um país que eliminou a prescrição de crimes de natureza sexual. Mas não há ainda informação sobre se ela vai ou não avançar com o processo de acusação, relativa a um episódio ocorrido há já mais de 40 anos.

Este caso é já o terceiro que, nos últimos tempos, veio acrescentar-se ao famoso processo Samantha Geimer, relativo ao episódio de violação, em 1977, desta norte-americana de 13 anos, e que levou Polanski ao banco dos reús. O cineasta abandonou o país em 1978, na véspera da leitura da sentença, e, desde então, nunca mais pôde voltar aos EUA, onde o processo judicial continua aberto. Uma tentativa recente de o encerrar não teve o resultado desejado pelo realizador, mesmo se ele disse, ainda esta semana, ao The Hollywood Reporter: “No que me diz respeito, o caso está encerrado. Eu já assumi a minha culpa”.

Confrontado agora com a nova acusação, o advogado de Polanski, Harland Braun, recusou-se a fazer qualquer comentário.

No passado mês de Agosto, uma nova acusação de violação tinha também sido proferida contra o realizador de O Deus da Carnificina. Uma mulher americana apenas identificada pelo nome Robin revelou, numa conferência de imprensa em Los Angeles, ter sido abusada sexualmente pelo cineasta em 1973, quando tinha 16 anos. E em 2010, outra actriz, a britânica Charlotte Lewis (Piratas), tinha proferido acusação idêntica.