Opinião

O diabo chegou. Para Pedro Passos Coelho

O “não me demito qualquer que seja o resultado das autárquicas” tem de ser o “irrevogável” de Pedro Passos Coelho – ele precisa de voltar atrás.

Pedro Passos Coelho tinha a seu favor as baixas expectativas. Tivesse Teresa Leal Coelho ficado à frente de Assunção Cristas em Lisboa e ele poderia ter celebrado uma derrota minimamente digna. A partir do momento que os resultados foram muito piores do que as mais baixas expectativas, Passos Coelho deixou de ter qualquer margem de manobra. A única saída é a demissão da liderança do PSD. E não só demissão: demissão e afastamento da vida política portuguesa, para a necessária travessia do deserto.

Nunca, nem nos piores sonhos, foi levantada a hipótese de Teresa Leal Coelho ficar atrás do Partido Comunista. Ricardo Robles deve ter ficado tristíssimo, porque com aquela votação do PSD até o Bloco de Esquerda poderia ter ficado à sua frente. Ver o PSD aterrar abaixo dos 10% em Lisboa e no Porto é inimaginável. Pior: não é um simples azar, nem uma inevitabilidade política. Se a situação do Porto seria sempre difícil, dado parte significativa do eleitorado social-democrata estar com Rui Moreira, não há qualquer razão para o PSD não se ter aliado a Assunção Cristas na capital. Foi um erro gigantesco e demasiado evidente. Vai custar muito caro.

O “não me demito qualquer que seja o resultado das autárquicas” tem de ser o “irrevogável” de Pedro Passos Coelho – ele precisa de voltar atrás. Por muito teimoso e persistente que seja, não se afastar da liderança do PSD seria uma traição ao seu partido e uma violência sobre si próprio. Passos estaria condenado a vaguear, como um zombie, até às próximas legislativas, para inevitavelmente as perder e ser corrido sem honra, nem glória. Já várias vezes escrevi que o país muito lhe deve, e que a História lhe fará justiça. Mas agora é hora de pendurar o retrato na Rua de São Caetano à Lapa e dizer adeus.

Convém sublinhar um último ponto. O que se passou neste domingo foi uma grande vitória do PS, mas também do CDS e da chamada “geringonça”. O PS obteve mais câmaras; o Bloco de Esquerda cresceu alguma coisa; o PCP perdeu muitas câmaras mas percebeu que se roer a corda nacional oferece uma maioria absoluta ao PS; e o CDS pôde cantar vitória no Porto e em Lisboa. Qualquer que seja o sucessor de Passos Coelho, aquilo que tem diante de si, com altíssima probabilidade, é uma via sacra de seis anos na oposição e de grandes convulsões internas. Rui Moreira já deu o mote, decidindo espancar Rui Rio e Paulo Rangel em directo. A liderança do PSD é, desde a noite de domingo, o emprego mais difícil do país.  

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