Marcelo alerta contra tentações eleitorais e pede mudanças nos poderes públicos

Presidente da República pediu prioridade ao crescimento e à redução da dívida, e também "mudanças claras na organização e postura dos poderes públicos".

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Marcelo esteve na Calouste Gulbenkian, em Lisboa, numa homenagem a Medina Carreira ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O Presidente da República alertou nesta quinta-feira contra "as tentações dos cada vez mais curtos ciclos eleitorais" e pediu prioridade ao crescimento e à redução da dívida, e também "mudanças claras na organização e postura dos poderes públicos".

"Eis um tema a que regressarei passado este tempo eleitoral, e ouvidos os partidos e parceiros económicos e sociais. Importa ver longe e com sentido do essencial", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado falava na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, durante uma homenagem ao antigo ministro das Finanças Henrique Medina Carreira, que morreu em 3 de Julho, aos 86 anos, promovida pela associação Fórum para a Competitividade.

Perante o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e a presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, o Presidente da República disse que o melhor modo de testemunhar o reconhecimento de Portugal a Medina Carreira é lembrar o desafio de "crescer mais e sustentadamente".

"E, com esse crescimento, com o controlo atento e sistemático das finanças públicas, com a criteriosa gestão dos custos da dívida e a abertura a novos compradores, facilitada pela recente percepção dos mercados financeiros, reduzir de forma consistente os encargos de uma tão pesada dívida como é a dívida pública portuguesa", prosseguiu.

Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "o crescimento supõe aposta no investimento e nas exportações, bem como mudanças claras na organização e postura dos poderes públicos" — que não especificou — "e, claro, atenção à coesão social".

"O desafio é mais do que financista, é mais do economista, é mais do que sociologista: é político e é global", considerou, acrescentando que implica "optimismo realista" e exige "convergências, superando as tentações dos cada vez mais curtos ciclos eleitorais, em que mal se sai de uma eleição logo se chega nas seguintes".