Associação de Alfama recorre à Justiça para travar Museu Judaico

Moradores e comerciantes estão contra a instalação do museu no Largo de São Miguel. Cancelamento de reunião foi a gota de água.

APPA propõe que museu seja instalado na Rua do Jardim do Tabaco
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APPA propõe que museu seja instalado na Rua do Jardim do Tabaco DR

A Associação do Património e População de Alfama (APPA) apresentou uma acção popular com providência cautelar para travar a construção do Museu Judaico no Largo de São Miguel. Há já muitos meses que a associação vem dizendo que considera que aquele largo de Alfama é um sítio desadequado à instalação do museu, mas a Câmara Municipal de Lisboa tem-se mostrado inflexível.

Em Abril, perante as críticas de moradores e comerciantes do bairro, criou-se uma comissão de acompanhamento do museu, que apenas se reuniu pela primeira vez em Julho. Nesse encontro ficou claro que a localização era um ponto inegociável, mas que o projecto – assinado por Graça Bachmann e com arquitectura contemporânea – podia ser alterado. Decidiu-se inclusivamente que os lisboetas podiam enviar sugestões de alteração até meio de Agosto. Na altura, o PÚBLICO tentou perceber como é que se podiam apresentar propostas, quem é que as podia fazer e como é que elas seriam ponderadas. Nunca houve resposta da câmara.

Estava marcada uma nova reunião dessa comissão para 11 de Setembro, mas a dirigente da APPA diz que ela foi cancelada “na véspera”. Essa foi a gota de água, explica Lurdes Pinheiro – que, além de presidente da associação, é também candidata da CDU à Junta de Freguesia de Santa Maria Maior.

“Mandámos moradas de edifícios na Rua Jardim do Tabaco que estão fechados e serviam perfeitamente”, diz Lurdes Pinheiro. “Na véspera da reunião, recebi um telefonema do gabinete da vereadora Catarina Vaz Pinto [pelouro da Cultura] a dizer que afinal não havia reunião, que só ia haver depois das eleições.”

O PÚBLICO procurou confirmar esta informação junto da autarquia, mas não obteve resposta. Também tentou perceber quantas propostas de alteração ao projecto foram recebidas, mas esta questão ficou igualmente por esclarecer.

Para a APPA, que apresentou a providência cautelar na segunda-feira à tarde, “a principal reivindicação é que o museu não seja construído no Largo de São Miguel”. A associação acha que o espaço reservado para o museu devia antes ser utilizado para construir habitação. Apoiada pelo Fórum Cidadania Lx e outros activistas de defesa do património, a associação considera ainda que o projecto vai pôr em causa o equilíbrio urbanístico do largo, um dos mais característicos daquele bairro histórico. 

Em Abril, ouvida na assembleia municipal, a dirigente da Comunidade Israelita de Lisboa disse que a escolha do Largo de São Miguel se devia ao facto de este ser um local com "grande simbolismo para o judaísmo português". "Já lá existiu uma judiaria e também uma sinagoga", explicou Esther Mucznik.

Inicialmente, a abertura do museu estava prevista para Setembro deste ano. O prazo está quase a ser ultrapassado e nem um tijolo foi colocado. Se a providência cautelar tiver sucesso, o processo vai arrastar-se ainda mais. Resta saber até quando.

Artigo actualizado às 11h de 27 de Setembro: acrescenta informação e corrige a data de apresentação da acção popular no tribunal

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