Deputado da Nova Zelândia nega ser espião chinês

Jian Yang, nascido na China, foi acusado de ser um espião depois de terem sido descobertas ligações a duas escolas de serviços secretos chinesas. O deputado nega e não põe em causa a sua “lealdade” à Nova Zelândia.

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Jian Yang é deputado no Parlamento neozelandês desde 2011 David Gray/REUTERS

Um deputado neozelandês, Jian Yang, nega as acusações de ser um espião chinês e refere que está a ser alvo de uma campanha de difamação racista. Na base das acusações está uma investigação conjunta do jornal Financial Times e do site noticioso neozelandês Newsroom, publicada esta quarta-feira, que noticiava que o deputado tinha ligações aos serviços secretos chineses.

“Recuso quaisquer acusações que ponham em causa a minha lealdade à Nova Zelândia. Ainda que eu não tenha nascido aqui, tenho orgulho em poder considerar-me um neozelandês, seguir as leis e contribuir para o país”, disse o deputado de 55 anos numa conferência de imprensa, citado pelo Guardian. “Desafio todos aqueles que estão a difundir estas afirmações difamatórias que se cheguem à frente e que as provem”.

Yang emigrou da China para a Nova Zelândia em 1999 para trabalhar como professor na Universidade de Auckland; 12 anos depois, tornou-se deputado.

Segundo a BBC, suspeita-se que o deputado Jian Yang, nascido na China, tenha sido investigado pelos serviços secretos neozelandeses pelas suas possíveis ligações às academias militares chinesas. Mas o primeiro-ministro da Nova Zelândia, Bill English, não confirmou se Jian Yang tinha sido, ou não, investigado.

Não obstante, o primeiro-ministro defendeu o deputado, referindo que conhecia o historial de Jian Yang: “Ele tem trabalhado devidamente como deputado e não há qualquer questão sobre a sua lealdade à Nova Zelândia”, referiu English. Já Yang, deputado do Partido Nacional (centro-direita), acredita que se trata de “declarações difamatórias”.

Jian Yang foi eleito como deputado em 2011. Segundo a investigação dos dois meios de comunicação, recebeu formação militar nas chamadas “escolas de espiões”, sendo ainda referido que o deputado não tinha revelado anteriormente o seu trabalho enquanto professor em duas instituições de ensino com ligações aos serviços secretos chineses; isto entre os anos de 1978 e 1994.

“Isto é uma campanha de difamação feita por pessoas anónimas que me querem prejudicar a mim e ao Partido Nacional a dez dias de uma eleição, só porque eu sou chinês”, referiu. As eleições gerais na Nova Zelândia acontecerão ainda este mês, no dia 23, convocadas pelo primeiro-ministro do país em Março deste ano.