Mação avança com queixa contra chefe da Protecção Civil

PS e PSD locais uniram-se esta quarta-feira e votaram por unanimidade uma queixa à Inspecção-Geral da Administração Interna pela gestão da Protecção Civil nos incêndios de Mação.

Mário Lopes Pereira
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Mário Lopes Pereira

A Câmara Municipal de Mação vai mesmo fazer queixa à Inspecção-Geral da Administração Interna pela actuação da Protecção Civil nos incêndios que afectaram aquele concelho nos meses de Julho e de Agosto. Os deputados municipais de Mação, do PS e do PSD, aprovaram por unanimidade esta quarta-feira uma proposta para que a câmara avance com o processo.

A decisão da assembleia municipal daquele concelho decorre depois de ter sido entregue pela Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) o relatório sobre o incêndio de Julho que afectou aquele concelho. Socialistas e sociais-democratas consideraram as explicações insuficientes e querem que a IGAI investigue a coordenação do incêndio, incluindo a responsabilidade do comandante nacional, Rui Esteves.

No relatório, a ANPC diz que entre as principais dificuldades estiveram a alteração do rumo do vento, a intensidade da linha de fogo, a "produção massiva de focos secundários" e ainda a existência de aglomerados populacionais contíguos a espaços florestais não tratados.

Em causa estava o grande incêndio de Julho, que se iniciou na Sertã e alastrou a Mação, tendo fustigado 18 mil hectares deste concelho, segundo números da autarquia. No relatório, a ANPC relata a fita do tempo da ocorrência e dá conta das dificuldades no combate ao maior incêndio do ano, que consumiu 29.752 hectares no total dos concelhos abrangidos, de acordo com o Instituto de Conservação da Natureza. 

Queixas de descoordenação

No documento, a que o PÚBLICO teve acesso, a ANPC garante que "o empenhamento de meios aéreos nesta ocorrência foi feito de acordo com o quadro anterior e respeitando a prioridade de aplicação estratégica deste tipo de meios. Ou seja: primeiro a defesa de povoações e edificado e depois a quebra das frentes vivas para a entrada de meios terrestres". No relatório é referido que estiveram no teatro de operações entre nove e 15 meios aéreos. 

Quanto aos meios terrestres, a ANPC diz que "o empenhamento dos meios foi sendo balanceado em função da evolução do incêndio relativamente ao território que foi percorrendo e aos pontos sensíveis envolvidos". Números totais, estiveram entre 149 veículos e 509 operacionais (no dia 23 de Julho) e um máximo de 349 veículos e 1216 operacionais (no dia 26 de Julho).

O presidente da Câmara de Mação (PSD), Vasco Estrela, tem criticado a acção da Protecção Civil no concelho, tanto no incêndio de Julho como no de Agosto, duvidando dos dados disponibilizados pela Protecção Civil sobre os meios utilizados em ambas as ocorrências. Dúvidas a que se juntou o deputado do PSD Duarte Marques, que questionou o Governo sobre o assunto. Nesta quarta-feira, teve a companhia dos deputados municipais do PS. De acordo com relatos da reunião, vários deputados municipais relataram situações de alegada descoordenação dos meios da Protecção Civil e disponibilizaram-se para serem ouvidos.