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Viagens Microsoft: ex-dirigente do PSD-Lisboa diz que há “gente nervosa” no partido

Mauro Xavier atribui notícia do i a fonte do PSD desagradada com o facto de não apoiar a actual liderança. Passos diz que caso das viagens deve ser esclarecido.

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Mauro Xavier, na foto, à direita de Fernando Seara Nuno Ferreira Santos

O ex-líder da concelhia do PSD-Lisboa Mauro Xavier acusa uma fonte não identificada do próprio partido de estar por trás de notícias que o envolvem em viagens a autarcas promovidas pela Microsoft, empresa onde é um alto quadro.

Numa nota publicada esta quarta-feira no Facebook, Mauro Xavier considera que o objectivo da notícia do jornal i é a sua descredibilização. “A fonte utilizada é um PSD desagradado com a minha decisão de não mais apoiar a actual liderança. Há muita gente nervosa com o futuro do PSD e pelos vistos com o que eu penso e quero para o meu partido”, afirmou o antigo dirigente que saiu da concelhia em ruptura com a actual direcção de Passos Coelho. Após as eleições autárquicas, a 1 de Outubro, Mauro Xavier promete mostrar as diferenças de opinião sobre o futuro do PSD: “Depois falaremos das nossas diferentes ideias para o nosso partido. Olhos nos olhos, sem jogadas miseráveis próprias de outras paragens, mas não do PSD”.

Outro dos visados na notícia do jornal i é Pedro Duarte, candidato do PSD à Assembleia Municipal do Porto. O ex-deputado e director de campanha de Marcelo Rebelo de Sousa, também quadro da Microsoft, lamenta que “determinados interesses político-partidários sejam misturados” com a sua vida profissional. Numa nota na sua página de Facebook, Pedro Duarte desmente ter viajado "com qualquer autarca a Seattle (ou a outro local)” e rejeita ter “qualquer responsabilidade comercial directa com autarquias na empresa” em que trabalha.

Segundo o jornal, os dois sociais-democratas e altos quadros da Microsoft foram os dinamizadores de viagens oferecidas a largas dezenas de autarcas do PS e do PSD aos Estados Unidos.

Passos quer "esclarecimento cabal" sobre viagens

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, considerou esta quarta-feira necessário haver um "esclarecimento cabal" sobre as polémicas viagens alegadamente pagas por multinacionais e a penalização de quem não cumpre a lei. Passos Coelho falava aos jornalistas em Aguiar da Beira, depois de questionado sobre a notícia do i  que envolve a Microsoft, Mauro Xavier, Pedro Duarte e autarcas.

"Não tenho nenhuma ideia de que na maioria sejam social-democratas. É verdade que há grandes empresas, nomeadamente multinacionais, que têm essa abordagem de natureza comercial", afirmou.

Na opinião do líder social-democrata, é preciso que "essas práticas dessas empresas sejam contrastadas, no que respeita à esfera pública, com aquilo que são boas práticas que devam ser seguidas". "E isso sim, têm vindo a público ao longo destes meses notícias de pessoas que podem, na área pública, ter estado associadas a convites dessa natureza e que os aceitaram e que merecem uma explicação pública", acrescentou.

Segundo Passos Coelho, deve haver investigação do Ministério Público, "para que todos possam ter noção do que deve ser feito e do que não deve ser feito", e deve ser penalizado "quem não cumpriu as regras que estão prescritas na lei". "O resto é um debate que eu acho que é importante um dia fazer-se em Portugal sobre a forma como muitas vezes estas empresas actuam", frisou.

No seu entender, "há uma exigência muito maior da sociedade em querer apurar com transparência as práticas que essas empresas têm, mas sobretudo a prática que pessoas que estão ligadas a instituições públicas seguem". "E isso deve ser feito com toda a transparência também", acrescentou.

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