Air Berlin abre processo de insolvência

Companhia alemã garante que voos continuam graças a empréstimo do Executivo do país.

Lufthansa em negociações para comprar a rival
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Lufthansa em negociações para comprar a rival TOBIAS SCHWARZ/Reuters

A companhia aérea alemã Air Berlin anunciou esta terça-feira a abertura de um processo de insolvência depois de o seu accionista maioritário Etihad Airways ter decidido não continuar a prestar apoio financeiro. Mas um empréstimo de emergência do Governo alemão permitirá manter os voos programados.

“O Governo, a Lufthansa e outros parceiros apoiam a Air Berlin nos seus esforços de reestruturação” e os aviões da Air Berlin e da subsidiária low-cost Niki vão continuar a voar, declarou a companhia com sede em Berlim em comunicado.

A Lufthansa indicou em comunicado estar em negociações com a Air Berlin para o resgate das actividades da empresa em dificuldades, o que permitirá contratar pessoal.

A ministra alemã da Economia, Brigitte Zypries, anunciou em seguida, em conferência de imprensa, a concessão por Berlim de um empréstimo de 150 milhões de euros com o objectivo de evitar que os aviões da Air Berlin fiquem em terra, numa altura em que vários estados federados atravessam o período de férias escolares (os estados não têm períodos escolares exactamente iguais).

“Isso deve ser suficiente para três meses”, disse a ministra, citada pela AFP. Brigitte Zypries acrescentou que as negociações com a Lufthansa estão a correr bem e que espera um acordo nos próximos meses.

“Nestas circunstâncias, trabalhamos sem descanso para obter o melhor para a empresa, para os clientes e para os empregados”, afirmou em comunicado Thomas Winkelmann, presidente da Air Berlin.

O sindicato Ver.di referiu-se a um “duro golpe” e disse que a prioridade a partir deste momento é “salvar os empregos”.

Desde 2008 que as contas anuais da companhia aérea têm fechado quase sempre no 'vermelho', à excepção de 2012, ano de lucros ligeiros.

A situação agravou-se recentemente e em 2016 a empresa sofreu uma perda histórica de 782 milhões de euros. 

Ao longo dos últimos meses a companhia acumula atrasos e cancelamentos de voos, sobretudo por problemas com a empresa de handling (assistência em terra), que afecta a imagem e as finanças da Air Berlin, que tem sido obrigada a pagar milhões em compensação aos passageiros afectados. 

Em Julho, a companhia registava menos um quarto de passegeiros do que no mesmo período do ano anterior. 

A meio de Junho, a empresa tinha estimado, no entanto, ter liquidez suficiente e sublinhava que não antevia a bancarrota.