TeroVesalainen/Pixabay
Foto
TeroVesalainen/Pixabay

Eles querem ajudar-te a meter prego a fundo na tua ideia

Nas duas aceleradoras da Porto Design Factory, há dez lugares para ideias que revolucionem a indústria da música ou que criem um novo produto. As candidaturas terminam a 30 de Agosto

Da última vez que entrámos na Porto Design Factory (PDF), Ricardo Esteves estava a ter uma reunião de trabalho. Que é como quem diz, estava na cozinha, sentado à conversa com Ângela Pinto e Joana Lacerda, as duas coaches das aceleradoras da PDF. Explicava-lhes como uma recente viagem ao Japão redireccionou o caminho da Soundsright, uma plataforma digital onde pessoas e empresas poderão vir a comprar e vender royalties de músicas.

 

O antigo jornalista de mercados financeiros está a desenvolver a ideia com Rita Silva, médica, depois de terem sido escolhidos para integrar a primeira fornada que este ano sai do Beta Sound System, o primeiro e único programa português focado em acelerar novas ideias relacionadas com a indústria da música, promovido em conjunto com a Casa da Música e a Antena 3. 

PÚBLICO -
Foto
Joana Lacerda é uma das coaches das equipas das aceleradoras DR/PDF

 

PÚBLICO -
Foto
DR/PDF

Durante seis meses trabalharam no projecto dentro da PDF e agora está na altura de sair para o mundo real e dar lugar a mais dez ideias inovadoras, cinco na área da música e outras tantas para novo hardware, noutra aceleradora, a Porto Design Accelerator.

PÚBLICO -
Foto
DR/PDF

 

PÚBLICO -
Foto
A sala de trabalho funciona em regime hot desk DR/PDF

As candidaturas estão abertas até dia 30 de Agosto e são feitas a partir de um formulário online com 19 perguntas. “Primeiro, para escolher, tentamos perceber quem é a equipa”, explica Joana Lacerda, uma das coaches que acompanha o programa de aceleração. “Como nos focamos em ideias muito early stage, é principalmente importante saber quem são as pessoas por trás das ideias”.

PÚBLICO -
Foto
DR/PDF

 

Se tens uma equipa interdisciplinar, com diferentes valências, já tens meio caminho andado para ser aceite. Depois, só te falta uma “ideia disruptiva que inove o mercado” da música ou do hardware, desafia a arquitecta.

 

Na Porto Design Accelerator essa ideia pode passar por criar um produto aliando o design a sectores industriais portugueses nas áreas das infra-estruturas urbanas, mobiliário, moda, metalomecânica e moldes, sector automóvel e aeroespecial, cortiça, cerâmica e novos produtos emergentes. Já o Beta Sound System, apoiado pela Casa da Música e pela Antena 3, procura novas plataformas que reinventem o mercado da música, salvaguardando os direitos de autor dos artistas, novos instrumentos ou novas maneiras de divulgar e ensinar música.

 

Ao prepares a tua candidatura, não precisas obrigatoriamente de ter uma estratégia de negócio detalhada ao pormenor ou de um protótipo. Na primeira edição, lançada em Janeiro deste ano, foram enviadas cerca de 50 candidaturas. Destas foram aceites sete, todas em diferentes fases de crescimento. Umas que “têm uma vaga ideia de negócio”, outras que “já têm algum tracking” e que já passaram por outras aceleradoras, concursos, ou até já testaram o mercado, enumera Joana.

 

Seis meses de prego a fundo

Ao fim dos seis meses de programa de aceleração, é “quase impossível” estar no mercado com grandes vendas, avisa a coach, e mesmo que muitos entrem com essa ambição, acabam “por perceber que não é assim tão fácil”.

 

O desenvolvimento das startups nas aceleradoras é seccionado em dois trimestres. Os três meses iniciais são gastos a perceber se o que as equipas querem “faz sentido e se o mundo lá fora acha que faz sentido”. Ou seja, “questionar o problema que vão querer resolver, perceber se o mercado já tem respostas para esse problema, se existem outras respostas que possam complementar e descobrir quem são os clientes”. Nos últimos meses, é-lhes pedido que encarnem “o empreendedor que está dentro deles” e trabalhem no modelo de negócios. 

 

O objectivo é que os participantes “saiam preparados para estas duas realidades”, explica Joana. Todo este processo é acompanhado de perto por duas coaches, uma rede de mentores, uma rede de outras design factories e de outras universidades, portuguesas e internacionais. “Com o acompanhamento contínuo fazemos um rastreio das necessidades e vamos encontrar exactamente o que as diferentes ideias precisam”, continua. O objectivo? Tornar a experiência o mais intensa possível para que, quando acabar, não se sintam perdidos.

 

O próprio ambiente e energia da casa, bem como o contacto com outras pessoas da PDF e do Politécnico do Porto, servem de adubo ao crescimento acelerado dos projectos, defende a coach. Além de mentoria semanal, estão programadas conversas mensais com empreendedores (war stories, que declaram guerra à falta de criatividade) e um demo day, a meio do semestre, em que as equipas podem fazer um pitch aos investidores e apresentarem o seu projecto à comunidade. No final, sobra ainda tempo para um roadshow, uma viagem para reunir contactos, ganhar parceiros de produção e aprender com outras incubadoras. Durante o programa os empreendedores não recebem qualquer tipo de bolsa, mas também não lhes é pedido nenhum tipo de equity.

 

Os resultados desta fase de candidaturas são divulgados a 15 de Setembro e o programa arranca a 29 de Setembro, num welcome day que marca o início de um novo ano lectivo na Porto Design Factory.

 

Joana, a arquitecta que virou empreendedora que virou coach

Joana Lacerda é arquitecta, mas foi através da sua start-up que chegou à Porto Design Factory. Tudo começou no Prémio Nacional das Indústrias Criativas e, apesar de não ter ganho, saiu “encantada” com a PDF. “Eu tenho que sentir esta energia todos os dias”, pensou. Decidiu, juntamente com a sócia, Ângela Pinto, falar com Rui Coutinho, o coordenador da Fábrica. “Nós queremos viver isto”, disseram-lhe.

 

E assim foi. Vieram, desenvolveram o protótipo do seu abrigo para refugiados, em escala real, nas imediações do edifício e partiram para seis meses na Alemanha, para participarem num processo de aceleração. Foi nesse período que descobriram o “poder do método sobre as pessoas”, depois de terem calcorreado um início de percurso “um bocadinho selvagem”, confessa. Quando voltaram, foram convidadas para integrar a equipa de aceleradoras. 

 

“Quando tivemos esse apoio durante os seis meses, a nossa vida mudou. E é isso que nos move. Transparecer para estas pessoas a importância e a sorte que eles têm de ter seis meses disto tudo. Acredita, é muito poderoso na vida de uma pessoa quando sai lá para fora.”