Quando tudo corre mal, Trump faz comícios

Enquanto os democratas tentam recuperar os eleitores do Ohio, o Presidente foi lá fazer uma acção de campanha.

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Comício de Trump em Youngstown, Ohio DAVID MAXWELL/EPA

Donald Trump não descuida os eleitores que lhe deram a vitória no estado do Ohio, ainda que uma sondagem recente da Gallup mostre que a tendência é para se tornarem maioritários os que reprovam a sua governação (48% estão contra, 47% a favor).

O sucesso eleitoral de Donald Trump no Ohio é paradoxal. O estado tem como governador o republicano John Kashich, que disputou a nomeação para a candidatura do partido com Trump, e se recusou a ir à convenção republicana em que este foi nomeado para disputar a corrida eleitoral com Hillary Clinton, apesar de se ter realizado no Ohio. E, mesmo agora que Trump está na Casa Branca, Kashich tem-no criticado por causa do ataque à lei de cuidados de saúde introduzida pelo Presidente Barack Obama – que o Partido Republicano não conseguiu revogar, derrotado pelas suas próprias divisões internas.

Normalmente, Trump faz estes "comícios presidenciais" nos estados em que ganhou as eleições. Mas, diz o site Politico, o comício no Ohio foi um pouco diferente: realizou-se na cidade de Youngstown, no condado de Mahoning, onde perdeu para Hillary Clinton por três pontos percentuais, e onde Barack Obama tinha ganho de forma arrasadora em 2012.

Falou do muro na fronteira com o México que pretende construir para impedir a entrada de imigrantes, lançou avisos ao Irão, continuou a prometer que há-de substituir o Obamacare por algo muito melhor, mas conteve-se e não provocou mais o seu procurador-geral, Jeff Sessions. Em suma, manteve-se ao nível das promessas eleitorais que são populares entre os seus eleitores, sem concretizar. E levou familiares que não estão no centro de nenhuma tempestade, como a mulher, Melania, e o filho Eric e a mulher deste, Lara, que está grávida.

Muitos dos que foram ouvir o Presidente repetir as suas promessas – e a acusar os media de produzirem notícias falsas – foram democratas durante toda a vida, trabalhadores brancos de classe média baixa, que acabaram por votar no milionário de Nova Iorque porque estavam dispostos a experimentar algo de novo, diferente do status quo do seu partido, que não respondia aos seus problemas e ansiedades.

E, má notícia para o Partido Democrata, dizem estar dispostos a dar mais tempo a Trump para que cumpra as suas promessas eleitorais. "Pode ter métodos loucos, mas ainda acho que é tipo certo", comentou Dan Goffos ao Politico. "Ele surpreende-me de cada vez que abre a boca ou toca no teclado. Mas acaba sempre bem."

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