Do Porto a Santiago, o caminho também se faz pelo litoral. E agora ninguém se perde

Dez municípios que fazem parte do Caminho Português da Costa, rumo a Compostela, juntaram-se para valorizar o percurso e uniformizar sinais.

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Reuters/MIGUEL VIDAL

O dia de Santiago foi também o dia escolhido para a apresentação do projecto do Caminho Português da Costa, uma das formas de percorrer o Caminho Português até Santiago de Compostela. Trata-se de um trabalho entre dez municípios do Norte Litoral (Porto, Matosinhos, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença), que se juntaram para promover a valorização deste percurso. 

Do Porto a Santiago, percorrendo o Caminho Português da Costa são aproximadamente 258 quilómetros, com horizontes e histórias diferentes. Este Caminho tem registado um crescente interesse e cada vez mais visitantes, mas a existência de alguns problemas dificultava a vida a quem o percorria: a sinalização era desadequada, não havia uma informação unificada e faltavam estruturas de apoio, o que levava os caminhantes a sentirem-se inseguros e insatisfeitos com o percurso. Num estudo efectuado pelo Eixo Atlântico, chegaram a ser identificados 48 tipos de sinalética diferente num dos itinerários entre o Porto e Valença.

Mas, a partir de agora, o percurso vai contar com várias novidades para quem o percorre pelos mais diversos motivos, desde religiosos, turisticos ou culturais. Com este projecto elaborado pelos dez municípios, o Caminho Português da Costa passa a ter uma imagem e comunicação em comum e a oferecer mais informação e conforto a quem o percorre. 

Além das melhorias ao nível das infra-estruturas de apoio aos caminhantes, nomeadamente albergues e correcções de deficiência ao longo do Caminho, foi criado um website e uma aplicação, que ficaram disponíveis a partir desta terça-feira, onde são disponibilizadas todas as informações úteis, como conselhos para o percurso, um guia do trajecto com todas as localizações e ainda a possibilidade do peregrino elaborar o seu próprio roteiro, com os pontos de interesse e alojamento em cada local.

O projecto “Valorização dos Caminhos de Santiago – Caminho Português da Costa” resulta de uma candidatura financiada em 85% por fundos do Programa Operacional Regional do Norte 2014-2020 aos fundos do Norte 2020 e tem como objectivo o reconhecimento oficial deste Caminho como Itinerário Cultural Europeu de peregrinação a Santiago e, mais tarde, como Património Mundial da UNESCO. No total foram investidos cerca de dois milhões de euros.

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O Porto como ponto de partida

Para os caminhantes que partem do Porto, o percurso começa na Ribeira, segue em direcção à Sé Catedral, atravessa a cidade por Cedofeita e a partir de Montes Burgos segue para Matosinhos. Tudo isto será feito com sinalética que já está devidamente colocada para indicar o caminho, os albergues e os diferentes acessos, e sempre com a mesma imagem gráfica. Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, revelou que será criado um centro de acolhimento e orientação para os peregrinos na capela seiscentista de Nossa Senhora das Verdades, um monumento que se encontrava desactivado e encerrado ao culto e que, segundo o autarca, foi escolhido “pela importância patrimonial” e pela sua “localização privilegiada na proximidade da Sé do Porto”.

Agora, disse o autarca, há a responsabilidade de acolher os peregrinos e viajantes “com os dispositivos que a contemporaneidade oferece”. 

Para o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, este é um projecto que conseguiu associar municípios “que nem sempre estão habituados a trabalhar em conjunto”, numa "oportunidade de aprofundamento da cooperação cultural, turística, entre os povos” e uma forma de união, numa Europa "onde as fronteiras se fazem cada vez mais sentir". 

A importância da cooperação

“Este projecto é provavelmente o primeiro projecto de valorização conjunta e contínua do caminho na região”, referiu António Ponte, director Regional de Cultura do Norte, sublinhando a capacidade de reunião de esforços dos municípios e “a valorização de um território que é composto por um conjunto de tradições e de bens patrimoniais materiais e imateriais”.

O Caminho Português de Santiago é o segundo percurso mais percorrido, a seguir ao Caminho francês, e tem registado um crescente interesse nacional e internacional. É, por isso, importante que todos os Caminhos rumo a Santiago de Compostela tenham “uma coordenação” a nível nacional, argumentou o autarca de Vila Real, apelando ao Ministro da Cultura para que esta colaboração seja alargada, para além da importância da “verdade histórica daquilo que são os Caminhos”.

Mas, o projecto não termina por aqui. Os dez municípios pretendem continuar o trabalho e aprofundar o desenvolvimento de mais iniciativas, definir uma estratégia de comunicação e conseguir promover a classificação dos itinerários.

Texto editado por Ana Fernandes