Ministra mantém confiança na IGAI, que não viu a mesma violência policial que o MP

Ministério Público concluiu que os agentes protagonizaram actos de tortura, sequestro e outras acções desumanas. IGAI analisou a conduta policial e optou pelo arquivamento do caso, propondo a suspensão de um polícia e a transferência de outro.

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Margarida Blasco esteve nesta quinta-feira no aniversário dos 150 anos da PSP Diogo Baptista

A acusação inédita do Ministério Público a 18 agentes da esquadra de Alfragide deixou sob os holofotes da crítica a averiguação feita pela Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) ao mesmo caso. Se, por um lado, o Ministério Público concluiu que os agentes protagonizaram actos de tortura, sequestro e outras acções desumanas, a IGAI analisou a conduta policial e optou pelo arquivamento do caso, propondo a suspensão de um polícia e a transferência de outro. Os agentes recorreram e a decisão disciplinar está pendente.

Neste contexto, questionada pelo PÚBLICO sobre as contradições entre o que o Ministério Público concluiu e o que a IGAI observou, a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, reafirmou a confiança na inspectora-geral da Administração Interna, Margarida Blasco.

"Tendo a IGAI autonomia técnica à luz da sua lei orgânica, exercendo a IGAI as suas competências no estrito cumprimento da lei, a ministra da Administração Interna mantém naturalmente a confiança na sra. juíza desembargadora, Dra. Margarida Blasco”, respondeu a ministra, através do seu gabinete.

Margarida Blasco tomou posse como inspectora-geral em Fevereiro de 2012, indicada pelo então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo. É juíza de carreira e estava na altura no Tribunal da Relação de Lisboa. Antes disso, foi a primeira mulher directora-geral do Serviço de Informações de Segurança (SIS), cargo que desempenhou entre 2004 e 2008. Na justiça, acumulou uma longa experiência, tendo-lhe passado pelas mãos processos como o das FP-25 de Abril, o caso Dona Branca e o processo relativo a Camarate.