Erdogan diz que Alemanha "está a cometer suicídio" ao não lhe autorizar comício

A dias da chegada ao país, para a cimeira do G20, Presidente turco volta a atacar autoridades alemãs.

Na próxima semana celebra-se o primeiro aniversário da tentativa de golpe fallhado na Turquia
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Na próxima semana celebra-se o primeiro aniversário da tentativa de golpe fallhado na Turquia Paul Zinken/EPA

Recep Tayyip Erdogan usou de novo palavras muito duras para criticar o Governo alemão que decidiu não o autorizar a falar num comício à margem da cimeira do G20, que decorre este fim-de-semana em Hamburgo. “A Alemanha está a cometer suicídio. A Alemanha deve corrigir este erro”, disse o chefe de Estado turco em entrevista ao jornal Die Zeit.

Esta será a primeira visita de Erdogan à Alemanha desde que, em Abril, vários dos seus ministros foram impedidos de fazer campanha junto da diáspora turca na Europa no referendo que acabaria por aprovar o reforço dos poderes presidenciais. Azedando como nunca antes as relações entre os dois países aliados da NATO, Erdogan acusou o Governo alemão de adoptar “práticas nazis”.

Desta vez, o Presidente turco vai reunir-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, à margem da cimeira, o que não o impediu de voltar a atacar Berlim. Na entrevista em que antecipa a viagem, Erdogan diz que o seu governo continuará a classificar a Alemanha como “um país que protege terroristas” enquanto continuar a recusar a extradição de pessoas ligadas ao movimento de Fettullah Gülen, o imã radicado nos Estados Unidos que Ancara considera inspirador e organizador da tentativa de golpe militar, a 15 de Julho do ano passado.

Erdogan acusa ainda a imprensa alemã de fomentar uma imagem negativa da Turquia, onde a resposta ao golpe militar arrastou milhares de pessoas para as prisões, a que se juntam dezenas de milhares de outras despromovidas ou despedidas. No entanto, Erdogan assegura que não tem nada, a nível pessoal, contra Angela Merkel e admite que os dois países precisam um do outro, adianta a Reuters.

A visita está a gerar incómodo na Alemanha, sobretudo perante as repetidas referências de Erdogan à intenção de referendar o reimposição da pena de morte no país. Na terça-feira, perante informações que o Presidente turco poderia falar à sua diáspora no consulado ou dirigir-se aos seus cidadãos através de videoconferência, um responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão afirmou que tais gestos “seriam uma afronta à vontade claramente expressa pelo Governo e uma violação da soberania alemã”. Martin Schaefer admitiu que não é possível proibir Erdogan de falar na representação diplomática – oficialmente território turco – mas avisa que Berlim tem formas de fazer pressão para que isso não aconteça.

Na semana passada, o chefe da diplomacia, Sigmar Gabriel, explicou que “não seria uma boa ideia” permitir que Erdogan fizesse um comício à margem da cimeira, alegando que a polícia e o Exército, atarefados já com a protecção dos líderes mundiais, não teriam capacidade para garantir a segurança necessária a este comício. “O nosso é um país aberto, mas não temos intenção de trazer os conflitos internos de outros países até à nossa população”, sublinhou.