Tragédia em Pedrógão: textos que vale a pena ler

Uma selecção de trabalhos publicados noutros órgãos de comunicação social portugueses.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

O incêndio em Pedrógão Grande é naturalmente o tema do dia (e dos próximos dias) em Portugal. No PÚBLICO estamos a fazer uma cobertura exaustiva desta enorme tragédia e o mesmo se aplica aos restantes órgãos de comunicação social portugueses. Por isso, abrimos a janela para a concorrência e deixamos-lhe algumas sugestões de leitura. 

Estaremos condenados a ver as tragédias repetirem-se?

Expresso

O jornalista Rui Cardoso compara a tragédia de Pedrógão Grande com o que aconteceu em Águeda em Junho de 1986, quando 16 bombeiros morreram. Entre histórias das reportagens que fez em Águeda nesse tempo e uma descrição do quanto evoluíram os equipamentos dos bombeiros, Rui Cardoso deixa críticas à política florestal do país. “Tal como a política externa de um país é fundamentalmente uma questão de política interna, evitar fogos é fundamentalmente uma questão de política florestal. Foi isso que Ribeiro Telles, Abílio Araújo, Gomes Guerreiro, Azevedo Gomes e tantos outros nos tentaram, quase sempre em vão, ensinar.” Ler

A estrada mais triste de Portugal

Expresso 

“Dizem que é uma estrada, mas não passa de uma ausência. Como se vida tivesse sido sugada de repente e o caminho entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera não passasse agora de uma coisa que já foi. Dezena e meia de quilómetros reduzidos a nada.” Começa assim a reportagem de Ricardo Marques sobre a estrada EN236-1, onde várias pessoas morreram, sem conseguir escapar às chamas. Ler

“A temperatura dentro dos carros chegou aos 600 graus”

Visão

Um texto curto, mas com dados interessantes sobre o trabalho realizado pelos peritos do Instituto de Medicina Legal. “A temperatura dentro dos carros chegou aos 600 graus”, contou Gonçalo Carnim, do Instituto de Medicina Legal de Coimbra, à jornalista Sara Sá. Ler

Quem são e o que fazem as equipas que estão a identificar os corpos

Observador

É um texto que complementa o anterior. Luís Rosa e Rita Ferreira, no Observador, descrevem como funcionam as equipas do Instituto de Medicina Legal que se dedicam à identificação dos corpos em situações de desastre. Ler

Como explicar a tragédia às crianças: “É preciso transmitir-lhes segurança”

Diário de Notícias

É um clássico destes momentos de tragédias, mas nunca é de mais recordar como se deve explicar estes momentos às crianças. “O importante é transmitir segurança. O principal medo da criança é pensar que isso lhe pode acontecer. É preciso tranquilizá-la, explicando que é uma experiência isolada e que a criança, no mundo onde vive, está em segurança”, explicou o psiquiatra Pedro Pires ao jornalista Rui Marques Simões, neste artigo no Diário de Notícias. Ler

“Encontrei dez corpos. Não sei do meu filho…”

Observador

Na aldeia de Nodeirinho, morreram 11 pessoas, um terço da população, conta o jornalista Miguel Santos Carrapatoso, nesta reportagem do Observador. Um relato duro com histórias de quem ainda tem esperança (um homem procura o filho) e de quem não quer acreditar no que aconteceu (um homem que guarda a casa onde a namorada morreu). Ler

Os incêndios não se combatem com água

Eco

É um texto de opinião de António Costa, publisher do Eco, que levanta várias questões sobre a gestão da floresta em Portugal e que termina assim: “Sabemos outra coisa, com dor e morte, os incêndios em Portugal não se combatem com água.” Ler

O incêndio em Pedrógão visto do espaço

Jornal de Notícias

Não é um texto, mas sim uma fotogaleria com imagens de satélite da NASA, onde dá para ter uma ideia da dimensão do incêndio em Pedrógão Grande. Ver

Imagens captadas por drone revelam a dimensão do incêndio

RTP

São três minutos e vinte e sete segundos de imagens captadas por um drone da RTP em que se percebe o grau de destruição provocado por este incêndio. Um cenário desolador. Ver

Maior do que quase tudo

Expresso

“Já é tarde e ainda é cedo, enquanto se contam cadáveres não é consolo pedir cabeças, é só mesmo revolta, esse instinto humano de pedir consequência à causa. Mas que causa foi a deste fim de Primavera que possa não ser de novo causa no Verão? Neste Verão, nos próximos? Façamos desta revolta uma conversa longa”. O trecho é retirado do início do texto assinado pelo director do Expresso, Pedro Santos Guerreiro, que sublinha esta “é a maior mortandade sabe-se lá em quantas décadas”. Bate outros incêndios, bate Entre-os-Rios, bate a maior de muitos dos ataques terroristas que têm assolado a Europa. Não é uma competição, sublinha o jornalista: precisamos de escala para perceber, agir, não ficarmos paralisado pela dor. Ler

“Estou a falar consigo por um milagre”

Renascença

As histórias com que João Carlos Malta se cruzou em Pedrógão Grande são dramáticas. Gente que ainda não sabe como sobreviveu e gente que ainda não acredita inteiramente que o vizinho, o amigo com quem falou poucos tenha morrido no incêndio. “Ricardo, não vás. Não vás. Deixa aí o carro”. Ricardo, com pouco mais de 30 anos, foi. “Já não volta”, diz Célia ao jornalista da Renascença. O carro foi apanhado pelo fogo. Armando também foi – e sente que escapou por “um milagre”: “Foi um momento tão rápido que só deu para pensar que íamos morrer todos assados. Só vinha à ideia fugir, mas todos os que fugiram ficaram. Eu fui um dos que fugiram, mas tinha um anjo ao meu lado. Naquele inferno de carros a arder, tive a sorte de não me pegar fogo no carro. Consegui sair daquele cinema, daquele filme”. Ler

“As aves morreram todas. Todas”

i

Os repórteres Ana B. Carvalho e Sebastião Bugalho foram lá onde o “chão ferve e queima a sola dos sapatos” e, para lá da tragédia humana, depararam-se com uma inevitável destruição da vida animal: “formigas atarantadas, abelhas perdidas e pássaros caídos”. Ao calor intenso junta-se a falta de água – sobretudo água limpa. Um aldeão não tem dúvidas: “As aves morreram todas. Todas”. Em 1987, um incêndio devastou a região, mas sem os resultados fatais deste fim-de-semana. “Ardeu tudo, mas não matou ninguém”, recorda uma popular. Desta vez, foi o “inferno na terra”, como titulam os jornalistas do i. Ler

As estradas da infância de Fernando Alves

TSF

“O Verão deveria ter chegado de outro modo com um calor que não nos sufocasse, com súbitas brisas que não cuspissem fogo tão medonho sobre as criaturas e sombras que não toldassem de negro os céus, atordoando as aves e o voo do olhar.” Fernando Alves abre a sua crónica singular desta segunda-feira, fazendo-nos viajar entre o grande incêndio deste fim-de-semana, nos mesmos lugares e nas mesmas estradas da sua infância, e as memórias verdejantes de outros tempos, de incandescências tão distintas. “Telefonam-me os amigos a saber se os pinheiros que foram de meus pais estão ainda de pé, se nas aldeias do pinhal da minha infância não emudeceram as cigarras”, conta. Querem saber como estão os caminhos que por norma nos afastam do tumulto das cidades e levam ao sossego das aldeias. Vejam-se as imagens. “O que nos foi dado ver estes dias desmente os versos que nos dizem: qualquer caminho leva a toda a parte.” Ouvir

Os imbecis

Diário de Notícias

Anselmo Crespo, subdirector da TSF, assina uma dura crítica aos curiosos que se abeiram dos incêndios para ver de perto as chamas, atrapalhando o trabalho dos bombeiros e das autoridades que operam no meio da tragédia. “São quase quatro da manhã e aquela estrada de acesso à serra, em Porto de Mós, parece a segunda circular em hora de ponta”, escreve. “Cruzei-me com estes imbecis em 2005, quando fazia reportagem do incêndio que lavrou durante uma semana, ininterruptamente, no concelho de Porto de Mós. Ouvir, 12 anos depois, os apelos das autoridades para que as pessoas não se desloquem para a zona dos incêndios é a prova provada de que não só não há limites para a imbecilidade, como há imbecis em todo o lado.” Ler