A vida curta das “sardinhas” gregas

O primeiro clube da ilha de Lesbos a chegar ao campeonato grego teve uma ascensão fulgurante. Mas está a protagonizar uma queda igualmente rápida.

Jogadores do AEL Kalloni
Foto
Jogadores do AEL Kalloni DR

Subir muito alto, muito depressa, e depois cair a pique – o futebol está cheio de exemplos de equipas com trajectórias semelhantes a um cometa. O brilho intenso apaga-se rapidamente e, com uma ou outra variação, as histórias vão-se repetindo. Foi o caso do AEL Kalloni, na Grécia, que há muito pouco tempo chegou a ombrear com os maiores emblemas do futebol europeu mas na próxima temporada vai disputar a III Divisão.

A ascensão deste emblema fundado em 1994, resultado da fusão do Apollon Dafion e do Arisvaios Kallonis, foi meteórica. Em 2007-08 andava pelo quinto escalão do futebol grego, mas graças a quatro promoções em seis anos garantiu a estreia na Liga grega. O AEL Kalloni foi a primeira equipa da ilha de Lesbos (e única até à data) a chegar ao principal escalão, numa experiência que durou três épocas. As “sardinhas”, como os adeptos chamam carinhosamente ao clube, andaram a jogar longe de casa nos primeiros tempos, mas superaram as dificuldades e sobreviveram.

A chegada do AEL Kalloni à Liga grega foi inesperada e não havia estádio na ilha de Lesbos que cumprisse os requisitos. Por isso, nos primeiros nove meses do clube entre a elite do futebol grego, as partidas na condição de visitado foram jogadas longe de casa, no continente – em Atenas ou Salónica. Mesmo assim, a equipa terminou a época 2013-14 no 12.º lugar e garantiu a manutenção. O ano seguinte teve um início prometedor: nos primeiros nove jogos para o campeonato as “sardinhas” sofreram apenas dois golos, um registo de 0,22 golos sofridos por jogo que era superior ao que então ostentavam emblemas como Bayern Munique, Juventus ou Barcelona. A solidez defensiva ajudou o AEL Kalloni a melhorar a classificação do ano anterior, tendo sido décimo.

Mas tudo começou a correr mal em 2015-16, com as “sardinhas” a acumularem 20 derrotas em 30 jornadas e a despedirem-se da Liga grega. A temporada que agora terminou não foi melhor: na II Divisão, o AEL Kalloni passou a época inteira na zona de despromoção, de goleada em goleada. Ainda antes do desfecho do campeonato, o clube foi castigado com a perda de 12 pontos e a exclusão das competições profissionais por causa de dívidas. As últimas três jornadas seriam já marcadas por derrotas administrativas.

Com fortuna feita na marinha mercante, Nikolaos Michalakis, o presidente do AEL Kalloni, não conseguiu evitar que este barco naufragasse. “O futebol surgiu na minha vida de forma repentina e inesperada, seduzindo-me e conquistando-me”, escrevia o dirigente, no site oficial do clube. Mas a paixão não foi suficiente e as “sardinhas” vão-se afundando a pique. Tão cedo a ilha de Lesbos não voltará a entrar no mapa da Liga grega.

Planisférico é uma rubrica semanal sobre histórias de futebol e campeonatos periféricos. Ouça também o podcast