Dezenas de pessoas concentradas contra autocarros eléctricos no Ramal da Lousã

O Bloco de Esquerda discorda da opção do Governo e vai chamar ministro ao Parlamento.

O ministro Pedro Marques foi recebido na Lousã com contestação
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O ministro Pedro Marques foi recebido na Lousã com contestação Nuno Ferreira Santos

Dezenas de pessoas estiveram nesta sexta-feira concentradas, na Lousã, em protesto contra a anunciada transformação do ramal ferroviário regional em via para autocarros eléctricos integrada no Sistema de Mobilidade do Mondego. Também o Bloco de Esquerda, ouvido pela TSF, diz demarcar-se da opção do Governo e pretende chamar o ministro ao Parlamento.

A iniciativa popular começou às 09h00, com a chegada dos primeiros manifestantes junto aos Paços do Concelho, onde o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, apresentou de seguida um estudo de mobilidade rodoviária, ligando Lousã, Miranda do Corvo e Coimbra, para substituir o sistema de metro projectado há 21 anos pelo Estado e pelos municípios envolvidos.

Os populares defendem a reposição do serviço público ferroviário no Ramal da Lousã e a rejeição do denominado “sistema metrobus”, cuja primeira divulgação oficial conta com a participação de técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que realizou o estudo.

No documento, é rejeitada a reposição do comboio no Ramal da Lousã, incluindo na versão de metro ligeiro, não acatando o que foi recomendado pela Assembleia da República em diferentes resoluções aprovadas em Fevereiro.

A proposta de mobilidade com que o Governo se comprometeu junto dos presidentes dos municípios envolvidos, Luís Antunes (Lousã), Miguel Baptista (Miranda do Corvo) e Manuel Machado (Coimbra), todos do PS, deverá custar 89,3 milhões de euros, disse uma fonte governamental à agência Lusa.

A fonte adiantou que a “versão definitiva” do trabalho do LNEC, avalizada pelo Governo, suscitou o acordo dos presidentes das três câmaras e escolheu um modelo de autocarro “exclusivamente eléctrico”, após ter sido também ponderada a propulsão a gás natural comprimido e híbrida, que foram recusadas.

O Ramal da Lousã foi encerrado há mais de sete anos, para obras que visavam a instalação de um metro ligeiro, as quais foram interrompidas algum tempo depois por razões financeiras.

Nas empreitadas realizadas, foram gastos mais de 140 milhões de euros, segundo diferentes estimativas, apresentando-se o antigo canal ferroviário abandonado e invadido por mimosas e outras vegetações.