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Rex Tillerson recusa tradicional jantar de Ramadão do Departamento de Estado

Há 20 anos que os chefes da diplomacia dos EUA são os anfitriões de uma recepção que celebra o mês sagrado do Islão.

Rex Tillerson esteve na semana passada na Arábia Saudita com Donald Trump
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Rex Tillerson esteve na semana passada na Arábia Saudita com Donald Trump Reuters

O secretário de Estado Rex Tillerson recusou um pedido para organizar um jantar que assinale o fim do mês sagrado do Islão, o Ramadão, uma tradição que raramente foi quebrada nos últimos 20 anos, quer por republicanos quer por democratas.

Desde 1999, secretários de Estado republicanos e democratas têm organizado no Departamento de Estado um iftar – o nome dado à refeição ingerida durante a noite com a qual se quebra o jejum diário respeitado no mês Ramadão – ou uma recepção, para comemorar o feriado de Eid al-Fitr no final do mês.

Tillerson recusou o pedido do Gabinete de Religião e Assuntos Globais do Departamento de Estado para fazer a recepção de Eid al-Fitr, disseram dois funcionários que pediram anonimato pois não estão autorizados a prestar declarações.

De acordo com um memorando de 6 de Abril visto pela Reuters, o departamento – que promove estas celebrações – recomendou que Tillerson realizasse a recepção do Eid al-Fitr.

A sua rejeição ao pedido sugere que não há planos para que este ano se organize seja o que for para assinalar o Ramadão no Departamento de Estado. O mês de jejum e oração para os muçulmanos começa em muitos países neste sábado.

A Reuters pediu um comentário a um porta-voz do Departamento de Estado: "Ainda estamos a explorar as opções possíveis paar o cumprimento do Eid al-Fitr, que marca o final do mês de Ramadão. Os embaixadores dos EUA são encorajados a celebrar o Ramadão através de uma variedade de actividades, que são realizadas anualmente nas missões ao redor do mundo".

Activistas muçulmanos acusaram a Administração do Presidente Donald Trump de ter uma atitude hostil em relação ao Islão, algo que consideram visível nas tentativas de proibir cidadãos de países de maioria muçulmana de entrarem nos Estados Unidos.

A Administração diz que, embora se oponha veementemente aos militantes islamistas, não tem qualquer problema com o Islão. Membros da equipa Trump referem que a recente visita do Presidente à Arábia Saudita, local de nascimento do Islão, onde se dirigiu aos líderes de mais de 50 países muçulmanos, são prova disso.

Os membros do Congresso, a sociedade civil muçulmana e líderes comunitários, diplomatas de países muçulmanos e altos funcionários dos EUA costumam comparecer aos almoço ou jantar de Ramadão do Departamento de Estado, que é considerado um símbolo dos esforços diplomáticos do Governo dos EUA nos países muçulmanos.

A confirmar-se que Tillerson não organiza a celebração este ano, isso poderá enviar a mensagem de que "para esta Administração não é tão importante a relação com os muçulmanos", disse a antigo diplomata dos EUA Farah Pandith, que serviu nas administrações de George W. Bush e Barack Obama e ajudou a planear as celebrações do Ramadão na Casa Branca e no Departamento de Estado.

Foi a ex-secretária de Estado Madeleine Albright que, há 18 anos, deu início a esta tradição diplomática ao mais alto nível. A partir de então, os secretários de Estado usam esse acontecimento para fazerem declarações sobre o significado do Ramadão.
Tillerson emitiu uma declaração na sexta-feira para marcar o início do Ramadão, a que definiu como "um mês de reverência, generosidade e auto-reflexão". "Mais importante ainda, é um tempo estimado para a família e amigos e para distribuir caridade aos são menos afortunados", disse.
 
Em Abril, o Gabinete de Religião e Assuntos Globais do Departamento de Estado pediu ao departamento de Tillerson que fizesse promovesse a celebração do Eid al-Fitr  e sugeriu duas datas em Junho. O acontecimento, dizia o memorando, serviria para "destacar as iniciativas do Departamento de Estado e a importância do envolvimento dos muçulmanos.

O texto sublinhava que ao fazer a recepção logo após o fim do Ramadão, em vez de um iftar (um jantar ao pôr-do-sol), o Departamento de Estado poderia escolher qualquer hora do dia, poupando Tillerson "a um serão muito tardio"

Várias semanas depois, este departamento e outros do Departamento de Estado foram alertados para o facto de Tillerson ter recusado o convite, disseram os funcionários.

A Reuters não viu a resposta de Tillerson. Um funcionário do Departamento de Religião e Assuntos Globais não respondeu a um pedido de comentário. Mas grupos muçulmanos-americanos proeminentes na área de Washington, que normalmente são convidados para o Ramadão no Departamento de Estado, disseram à Reuters nesta semana que ainda não receberam convite, o que, explicaram, não é comum.

"Se há um, não fomos convidados", disse Rabiah Ahmed, porta-voz do Conselho Muçulmano de Relações Públicas de Washington. Um representante do grupo foi sempre convidado no passado, disse.

O Departamento de Estado celebra outras tradições religiosas, embora algumas dessas comemorações não estejam tão bem estabelecidas quanto o Ramadão. Em 2014, o então secretário de Estado John Kerry, foi o anfitrião da primeira celebração no Departamento de Estado a assianalr Diwali, o festival hindu.

A Casa Branca também organiza celebrações anuais de Natal e Páscoa, bem como um jantar Seder para marcar a Páscoa judaica.

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