Centeno é o Ronaldo das Finanças? Quem disse isso “por uma vez não se enganou”, diz Marcelo

Primeiro-ministro luxemburguês considera prematuro pensar na substituição do presidente do Eurogrupo, mas deixa claro que a saída de Dijsselbloem do Governo irá abrir esse dossier.

O Presidente da República gostou de ouvir as declarações do ministro das Finanças alemão, que comparou Mário Centeno ao Cristiano Ronaldo das Finanças. Embora ressalvando que a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE) é uma vitória colectiva, Marcelo Rebelo de Sousa concorda com a comparação: “Quem quer que tenha pensado ou dito isso, por uma vez, não se enganou”.

“A comparação é feliz, na medida em que os resultados derivam da consistência, do trabalho e da capacidade de visão sobre o que é essencial, tanto num caso como no outro”, afirmou, depois de ter começado por sublinhar o mérito dos portugueses e dos dois últimos governos.  

A resposta foi dada na conferência de imprensa conjunta do chefe de Estado com o primeiro-ministro luxemburguês no final do encontro que tiveram esta quarta-feira no castelo de Bourglinster. A pergunta, no entanto, tinha sido especialmente dirigida a Xavier Bettel, e ia no sentido de perceber se o Luxemburgo poderia vir a apoiar a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo.

Bettel sacudiu a questão concreta: “Temos um presidente que ainda está em funções, o processo de mudança do governo [holandês, de que Dijsselbloem ainda faz parte, apesar de o seu partido ter perdido as eleições] ainda pode demorar, pelo que eu diria que não temos notícias sobre isso para amanhã”.

No entanto, com esta resposta, Bettel parece ter deixado claro que o seu entendimento é o de que o presidente do Eurogrupo deverá mesmo ser um ministro das Finanças em funções, ao contrário da tese de que o próprio Dijsselbloem poderia continuar em funções mesmo saindo do Governo. Sendo o Eurogrupo uma instituição informal, não há regras escritas para o seu funcionamento, podendo ser acordadas entre os seus membros.

O que o primeiro-ministro luxemburguês fez questão de realçar é que os resultados económico-financeiros alcançados por Portugal não se devem a ninguém em especial, pelo que não concorda com a expressão de Schäuble. “Um faz malabarismos com a bola, o outro com as contas, mas o que é preciso é acertar as contas, e não fazer malabarismos”. Isso foi feito, reconheceu, mas não sem sacrício, como sublinhou: “Todos os governos têm mérito nos resultados alcançados, mas quem fez os esforços foram os portugueses”.