Líder do PS-Fafe deixa desafio à direcção nacional para o afastar do partido

António Costa e Manuel Pizarro almoçaram no Porto e o processo autárquico de Matosinhos fez parte do repasto

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António Costa e Ana Catarina Mendes Nelson Garrido

Um dia depois de Ana Catarina Mendes ter garantido que “estão resolvidas” as questões internas nas distritais do Porto e de Braga, a concelhia de Fafe revela que já está no terreno a fazer campanha pelo socialista Antero Barbosa, que se candidata como independente contra Raul Cunha, actual líder do município e apoiado pelo PS nacional. 

“A concelhia não fará campanha pelo candidato imposto pelo PS de Lisboa; já está a fazer campanha pelo candidato escolhido e votado pelo órgão que tem competência para o fazer: a concelhia, de acordo com os estatutos”, afirma o líder da concelhia e ex-dirigente nacional do PS, José Ribeiro.

O dirigente da concelhia, que deu quatro maiorias absolutas ao PS quando foi eleito presidente da Câmara de Fafe, afastou, em declarações ao PÚBLICO, qualquer intenção de se desvincular do partido e chega mesmo a desafiar a direcção nacional a expulsá-lo uma vez que vai apoiar uma candidatura que, embora sendo liderada por um militante do PS, será apresentada como independente.

“Vou continuar no PS e o candidato que a concelhia apoia, Antero Barbosa, também. Não iremos sair”, sublinha, convencido de que a direcção não o irá expulsar por que – frisa – “já percebeu no buraco em que se meteu e vai esperar pelos resultados das eleições autárquicas”. E avança com uma explicação para a direcção nacional não o fazer: “A verdadeira candidatura socialista é a nossa e não a de Raul Cunha, um independente que se recandidata apoiado pela direcção nacional. O primeiro elemento da nossa lista [Antero Barbosa], o segundo, o terceiro… são todos militantes do partido e não independentes”.

Revelando que a lista de Antero Barbosa apresentará candidaturas para todos os órgãos autárquicos, o líder concelho responsabiliza a direcção nacional do PS, com culpas directas ao secretário-geral. António Costa.

“Em Fevereiro, num jantar com autarcas do PS de Braga e Viana do Castelo, em Pevidém, (Guimarães), falei com António Costa sobre Fafe e ele comprometeu-se a promover um encontro para discutirmos o processo autárquico, no qual participaria eu, Antero Barbosa e Raul Cunha. Mas esse encontro nunca aconteceu apesar de se ter comprometido. “António Costa é completamente conivente com tudo o que se está a passar”, diz o ex-dirigente nacional do PS.

Quanto às declarações da secretária-geral-adjunta no sábado, em Marvão, José Ribeiro interpreta-as como “uma fuga opara a frente”. “Na perspectiva dela está tudo resolvido, mas é claro que não está e por isso assobia para o lado”, afirma, censurando a postura que o partido teve no processo autárquico no concelho, onde foi colocado “completamente” à margem.

“O PS é que está contra nós, não somos nós que estamos contra o PS”, atira, considerando que “o que se passa em Fafe é igual ao que se está a passar em Matosinhos, onde o partido descartou o candidato que a concelhia aprovou [Ernesto Páscoa] para recuperar uma colaboradora [Luísa Salgueiro] de Guilherme Pinto [que se desfiliou do PS para se candidatar como independente às eleições de 2013] ”.

Por causa do processo eleitoral, o PS em Matosinhos está dividido e o secretário-geral, que se empenhou muito na candidatura de Luísa Salgueiro, não escapa às críticas de quem não aceita que a candidata “tenha sido imposta, desrespeitando os órgãos do partido”.

Manuel Pizarro, o agora candidato à Câmara do Porto, imposto pela direcção do PS, almoçou sexta-feira com António Costa no restaurante portuense Cozinha do Martinho. E o que comeram? O PÚBLICO sabe: tripas à moda do Porto. E o que conversaram? Não será difícil de adivinhar: autárquicas no Porto, em Matosinhos…e, talvez, em Felgueiras, onde o PS ainda não tem candidato.