Rohani reeleito Presidente do Irão com 57% dos votos

O ministro do Interior já declarou os resultados oficiais, que expressam o desejo dos iranianos por uma maior abertura do país.

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Apoiantes de Rohani com fotos do Presidente ABEDIN TAHERKENAREH/EPA
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O Presidente Rohani, quando foi votar ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Entre um candidato isolacionista e outro que promete abrir o país ao mundo, os eleitores iranianos escolheram a segunda opção e reelegeram Hassan Rohani para a presidência. O ministro do Interior já foi à televisão declarar a vitória de Rohani sobre o segundo classificado, o juiz conservador Ebrahim Raisi (57% contra 38%, segundo números da Reuters).

Este triunfo significa apoio dos eleitores ao Presidente que tem liderado uma tentativa de abertura da República Islâmica ao país, e normalização das relações diplomáticas com os seus inimigos clássicos, como os Estados Unidos. Rohani liderou o Irão para um acordo com os EUA, um caminho para sair de pesadas sanções e décadas de isolamento internacional. Por outro lado, a derrota de Raisi representa também o falhanço eleitoral de uma linha religiosa e politicamente conservadora, próxima do ayatollah Khamenei, o Supremo Líder - que continua a ser a autoridade superior no país.

A vitória de Rohani é, mais uma vez, uma aprovação por parte dos iranianos do acordo nuclear que o país fechou com o chamado grupo 5+1 (cinco países do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha), em Julho de 2015, ao abrigo do qual as sanções seriam levantadas – a mais dolorosa das quais seria o embargo económico – como contrapartida da limitação e supervisão das actividades nucleares no Irão.

Durante 12 anos, o Irão negociou com os EUA e os seus aliados um acordo para conter o desenvolvimento do programa nuclear iraniano: Teerão garantia ser pacífico; o resto do mundo desconfiava de uma possível bomba atómica. Ao contrário da anterior Administração Obama, a actual equipa da Casa Branca, liderada pelo republicano Donald Trump, tem mostrado desagrado em relação ao acordo, partilhando a posição israelita. A 20 de Abril, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, afirmava que aquele pacto não pôs fim às ambições nucleares de Teerão e nada fez para travar o que classifica como “provocações” do país na região. 

Hassan Rohani, 68 anos, estudou na cidade santa de Qom, centro de conhecimento religioso do país. O seu turbante branco significa que não é um descendente do profeta Maomé. A sua vida esteve sempre ligada à religião e à Revolução Islâmica, e depois de 1979 ocupou vários lugares importantes no regime. É um homem do sistema, mas não tem ligação a um dos mais poderosos organismos da República Islâmica – os Guardas da Revolução.

Raisi, por sua vez, é visto como um protegido de Khamenei, visto como um possível sucessor do Líder Supremo, que tem actualmente 77 anos. Porém, desde a década de 80 que um Presidente em exercício não perdia uma reeleição – e Rohani manteve a tradição. O Irão elege um Presidente a cada quatro anos, embora os seus poderes sejam limitados pelos do Líder Supremo, um religioso. Khamenei está no poder desde 1989, desde a morte de Ruholah Khomeini.

Não se deve, no entanto, pôr demasiada esperança nas presidencias iranianas. "As últimas duas décadas de eleições presidenciais podem ser comparados a curtos dias de euforia seguidos de longos anos de desilusão", descreve Karim Sadjadpour, do Carnegie Endowment para a Paz Internacional (um think tank com sede nos EUA), em declarações à Reuters. "A democracia no Irão apenas pode florescer durante uns dias a cada quatro anos, ao passo que a autocracia não morre", afirmou. "Quatro décadas de eleições presidenciais no Irão tiveram pouco impacto na definição das principais políticas para o país e a sua relação com o exterior", diz ainda, na sua página na Internet.

Segundo o Ministério do Interior iraniano, a participação nas eleições ficou acima de 70%. As urnas para as eleições no Irão fecharam na sexta-feira à noite, cinco horas depois do previsto, após as autoridades terem decidido alargar o horário de votação devido à elevada participação dos eleitores.