Natacha Atlas, Yasmine Hamdan e Mário Lúcio num Ciclo Mundos que há-de ser festival

A extensão do FMM Sines ao Teatro da Trindade renova-se com mais uma série de concertos distribuídos entre o Teatro da Trindade e o Estádio 1º de Maio.

O serpenteante canto de Natacha Atlas, que recentemente se aventurou com o pianista de jazz franco-libanês Ibrahim Maalouf, chega ao Teatro da Trindade a 13 de Junho
Foto
O serpenteante canto de Natacha Atlas, que recentemente se aventurou com o pianista de jazz franco-libanês Ibrahim Maalouf, chega ao Teatro da Trindade a 13 de Junho

Passado um ano sobre a extensão do Festival Músicas do Mundo, de Sines, à programação regular do Teatro da Trindade – Inatel, em Lisboa, renova-se o conjunto de propostas que pretende reforçar a presença da cidade no circuito internacional dos nomes maiores das músicas do mundo. O Ciclo Mundos arrancou em 2016, apadrinhado pela rapper chilena Ana Tijoux, essa digna herdeira da importância da palavra legada por Violeta Parra e Victor Jara, tendo recebido nos meses seguintes gente tão recomendável quanto Songhoy Blues, Jambinai ou DakhaBrakha. Agora, chega a vez de o Teatro da Trindade abrir as portas para Natacha Atlas (13 de Junho), Mário Lúcio (28 Junho), Yasmine Hamdan (11 Outubro) e Iva Bittová com Paolo Angeli (12 Dezembro).

Nome historicamente ligado aos Transglobal Underground e, portanto, ao ponto de encontro musical entre o mundo árabe e as sonoridades ocidentais, Natacha Atlas lançou-se a solo em 1995 com Diaspora, tendo prosseguido até 2001, com Ayeshteni, uma série de álbuns de parceria criativa com membros da sua anterior banda, em que a electrónica desempenhava sempre um papel vital. Aos poucos, o seu serpenteante canto começou a sobrevoar outro tipo de ambientes, de que o seu último registo é o mais esclarecedor exemplo. Em Myriad Road (2015), a cantora colabora com o pianista de jazz franco-libanês Ibrahim Maalouf, que assegura a produção, assim como a maioria dos temas, desligando-a mais radicalmente da corrente eléctrica.

Líbano e França são duas coordenadas que se repetem no percurso da cantora Yasmine Hamdan. Voz do duo Soapkills, Hamdan emancipou-se na capital francesa, onde editou, em 2013, o seu disco de estreia, Ya Nass. Já este ano voltou à carga com Al Jamilat, com o selo da Crammed, álbum que vinca o seu caminho na procura por uma música pop com uma claríssima filiação árabe. A descobrir – se bem que os menos distraídos terão dado pela sua passagem pelo Primavera Sound de 2015, em nome próprio e como convidada surpresa de um Mark Kozelek visivelmente fascinado pela libanesa.

Quanto a Mário Lúcio, músico, escritor e ex-ministro da cultura de Cabo Verde, é uma das mais proeminentes figuras da criação artística do país africano. O fundador e líder dos Simentera tem passagem pelo FMM Sines igualmente agendada para Julho, apresentando em ambas as ocasiões o recente Funanight, disco em que aborda o funaná e discorre sobre a importância da dança e da expressão corporal nas nossas vidas. Paolo Angeli, músico da Sardenha e exímio intérprete de guitarra preparada, subirá ao palco do Teatro da Trindade próximo do final do ano na companhia da cantora e actriz checa Iva Bittová, numa parceria imprevisível.

As novidades, no entanto, estão longe de se ficar por aqui. A 30 de Junho, numa apresentação oficial do Ciclo Mundos, o Estádio 1º de Maio, parque desportivo do Inatel em Lisboa, receberá concertos da cabo-verdiana Danae Estrela, impagável cantora da intimidade, de quem pouco se sabe desde a edição de Cafuca em 2009; e do grupo feminino a capella Sopa de Pedra, calcorreador das músicas tradicionais portuguesas. No terceiro fim-de-semana de Setembro, o mesmo Estádio 1º de Maio receberá o Festival Ciclo Mundos, com três dias de concertos cujo elenco é, por ora, ainda desconhecido.