Crítica

O que fazer com estas imagens?

Terrence Malick não desaprendeu de criar imagens, mas já não sabe o que fazer com elas: Música a Música é mais um filme em busca de si mesmo.

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Não dizemos isto de ânimo leve, porque temos para nós que O Novo Mundo (2005) e A Árvore da Vida (2010) são obras-primas. Mas houve uma altura em que o cinema de Terrence Malick era uma espécie de busca do sagrado e da transcendência pelo meio das dúvidas do quotidiano; agora, não passa de um cartão postal delicodoce ilustrando filosofias de auto-ajuda pop, de uma fórmula resolvente aplicada apenas porque sim.

Música a Música, a par de A Essência do Amor (2012) e Cavaleiro de Copas (2014), ilustra na perfeição essa queda: é um filme em busca de uma história, à imagem das suas personagens que buscam um sentido para a vida, repisando sem imaginação (mas, é certo, com glorioso cuidado estético) aquilo que Malick registara como “marca” visual.

É, admissivelmente, mais linear do que os dois anteriores (como alguém dizia à saída, “neste pelo menos eles pronunciam palavras!”), até mais carnal, mais terreno; mas aqui já não encontramos maravilhamento nem deslumbre, apenas um cineasta perdido no seu próprio labirinto. Malick não desaprendeu de criar imagens, mas parece já não saber o que fazer com elas.