Presidente da Venezuela convoca assembleia constituinte

Nicolás Maduro quer que o país eleja uma Assembleia Nacional Constituinte cidadã. Adversários vêem medida como um golpe para se agarrar ao poder.

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Reuters/CARLOS GARCIA RAWLINS
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O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou na segunda-feira à noite um sufrágio para a eleição de uma nova assembleia constituinte, com capacidade para alterar a Lei Fundamental. A oposição acusou-o de tentar agarrar-se ao poder. Decorrem no país grandes manifestações contra a sua presidência.

“Não quero uma guerra civil”, afirmou Maduro no Dia do Trabalhador, num comício com apoiantes em Caracas. No lado oposto da cidade, as forças de segurança utilizavam gás lacrimogéneo para afastar os manifestantes anti-Governo que atiravam pedras, depois de terem sido proibidos de marchar na zona onde estava Maduro.

O Presidente accionou um artigo da Constituição que lhe permite fazer uma reforma de todos os poderes públicos, tal como fez o seu antecessor, Hugo Cháve,z em 1999, pouco depois de ter tomado posse no seu primeiro mandato presidencial.

“Convoco o poder constituinte original para atingir a paz de que a república precisa para derrotar este golpe fascista, e para deixar que os soberanos imponham a paz, a harmonia, e o verdadeiro diálogo nacional”, sustentou Maduro. O Presidente pretende pôr fim às manifestações da oposição e acabar com o que diz ser um golpe capitalista a mando dos Estados Unidos.

A oposição disse que se trata de uma tentativa de marginalizar a Assembleia Nacional — liderada pela oposição — e de manter Maduro na presidência, numa altura em que os seus níveis de popularidade oscilam. A situação instável que se vive na Venezuela conduziu, só no último mês de contestação quase diária nas ruas, a 29 mortes.

“Perante a fraude constitucional da assembleia constituinte, anunciada pelo ditador, as pessoas devem ir para a rua e desobedecer a tal loucura”, apelou Henrique Capriles, líder da oposição. Mais de 400 pessoas ficaram feridas e outras centenas foram detidas desde o início da contestação, no início de Abril.

Nesta segunda-feira, membros da Guarda Nacional usaram gás lacrimogéneo para dispersar centenas de manifestantes da oposição. “Estão a começar a reprimir-nos sem razão aparente”, disse à Reuters o deputado José Olivares, que ficou ferido na cabeça.

Noutro local da cidade, a Guarda Nacional impediu os manifestantes de iniciarem a sua marcha. A oposição aplaudiu a resiliência dos jovens que participavam e que continuaram a avançar com escudos improvisados, utilizando tampas de caixotes do lixo, madeira e até mesmo antenas parabólicas.