Incêndio de Águeda afectou "significativamente" projecto do Cabeço Santo

Terão ardido cerca de oito hectares. Quercus diz que o fogo foi ateado em plena área de intervenção do projecto e "num momento e num dia especialmente vulneráveis", o que denota uma "intenção destrutiva de contornos sinistros".

Rui Farinha / NFactos
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Rui Farinha / NFactos

A associação ambientalista Quercus disse hoje que o incêndio florestal ocorrido no passado dia 28 de Abril, em Águeda, foi ateado em plena área de intervenção do projecto Cabeço Santo, que foi "significativamente" afectado pelas chamas.

Em comunicado, a Quercus diz que terão ardido cerca de oito hectares da área de intervenção, sendo que metade desta área tinha sido plantada recentemente com mais de 1500 árvores e arbustos.

O presidente da Quercus/Aveiro, Raul Silva, reconhece que o local "era vulnerável", adiantando que "havia muita ramagem espalhada pelo chão, que resultou do corte dos eucaliptos que existiam naquela zona".

Em declarações à Lusa, o mesmo responsável explicou que não fizeram a limpeza do local, porque "era uma área muito grande" e não tinham "tempo nem recursos técnicos e económicos para fazer essa intervenção".

Raul Silva não tem dúvidas de que o incêndio teve mão criminosa, lembrando que "ao longo dos últimos cinco anos, houve várias tentativas [de fogo posto] naquela área".
"Claramente, houve ali toda a intencionalidade para causar dano, não sei concretamente com que intenções", disse o presidente da Quercus/Aveiro.

O fogo, que deflagrou pela 1 da manhã e foi dado como dominado cerca das 10:50, chegou a ser combatido por 166 operacionais apoiados por 50 meios terrestres e um meio aéreo.

O comunicado da Quercus diz que o incêndio foi ateado em plena área de intervenção do projecto, o que denota uma "intenção destrutiva de contornos sinistros".

Na mesma nota, os ambientalistas destacam a particularidade do incêndio ter sido ateado "num momento e num dia especialmente vulneráveis".

"Era uma noite de intenso vento de nordeste e o incêndio teve início pouco depois da meia-noite, dificultando a detecção e praticamente impossibilitando uma intervenção de combate em fase inicial", refere a Quercus.

O projecto Cabeço Santo iniciou-se em 2006, um ano depois de aquela zona serrana situada na freguesia de Belazaima do Chão ter sido devastada por um incêndio de grandes proporções.

Nessa altura, foi feito um protocolo de cooperação entre a Câmara Municipal de Águeda e a Quercus para a recuperação da vegetação nativa daquele local, numa área de intervenção superior a 100 hectares de terreno.